O nível de emprego no Paraná acumula um crescimento de 3,7% no ano, que corresponde a geração de quase 50 mil novos postos de trabalho nos últimos sete meses. Em julho de 2000, o índice do emprego subiu 0,38% no estado e 0,52% na Região Metropolitana de Curitiba, que acumula crescimento de 2,81%. Esse resultado reflete que os empregos perdidos durante o Plano Real, começam a ser recuperados.
O Paraná perdeu 109 mil postos de trabalho desde a edição do Plano Real até dezembro de 1999, conforme pesquisa feita pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos.
O resultado positivo obtido esse ano foi atribuído ao crescimento da economia puxado pela indústria de transformação, justificou Cid Cordeiro, economista do Dieese. Mas ele considera preocupante o fato da geração de empregos não atingir setores como alimentos e bebidas.
Segundo Cordeiro, esse setor é bastante sensível à renda do assalariado e a sua estagnação reflete a queda de poder aquisitivo dos assalariados, pressionados pela elevação dos pagamentos compulsórios, como as contas públicas (água, luz, telefone) e habitação (prestação da casa própria ou aluguel). ‘‘Com isso o trabalhador acaba espremendo o salário, reduzindo as compras de alimentos e vestuário’’, explicou. Para se ter uma idéia, esse ano a queda de renda no Paraná foi de 3%, sendo que 35 categorias ainda não conseguiram repor a inflação em seus contratos coletivos.
No mês de julho, o desempenho positivo do nível de emprego no Estado foi atribuído ao aumento dos empregos no setor de Serviços como Administração de Imóveis, Hotéis e Restaurantes, Transporte e Comunicação e Indústria Têxtil. Na indústria, Cordeiro destacou que os setores de madeira e mobiliário e têxtil foram os grandes beneficiados pela política de desvalorização cambial, que está refletindo no aumento do número de empregos.
Com o crescimento do número de empregos, já são 1.456.000 pessoas que têm carteira assinada, o que representa cerca de 30% da população economicamente ativa, que abrange 4,9 milhões de pessoas no Estado, informou o Dieese. A perspectiva até o final do ano é que se não houver grandes abalos na economia em função da crise do petróleo, o ritmo de crescimento do nível de emprego será favorecido pelo crescimento da economia que deve atingir entre 3,5% a 4% esse ano.
Cordeiro destacou que até o mês de outubro, a indústria está alavancando esse crescimento, sendo que nos últimos três meses do ano, o aumento da geração de empregos será puxado pelo setor de serviços. Ele acredita que este ano deve encerrar com desempenho positivo no nível de empregos.

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