O emprego formal está ganhando espaço também na zona rural. O rigor das leis trabalhistas e o aumento da fiscalização associado ao aumento da informação entre os trabalhadores são apontados como fatores determinantes para a formalização da mão-de-obra. Segundo Mauro Del Grossi, professor de Agronegócio da Universidade de Brasília (UNB), atualmente dos cerca de 12 milhões de trabalhadores do meio rural, 4 milhões teriam registro em carteira de trabalho, enquanto outros 3 milhões de famílias estariam na agricultura familiar.
Em 1992, quando o docente iniciou as pesquisas eram cerca de 14 milhões de trabalhadores no campo. Deste total, apenas 1 milhão tinha registro em carteira. Segundo ele, a quantidade de empregos temporários (os chamados bóia-frias) também está caindo mas, ainda assim, 2 milhões de trabalhadores estariam nesta situação. Del Grossi acrescenta que também está crescendo o número de pessoas que moram no campo, mas que se deslocam até as cidades para atuar em outro tipo de atividade.
Neste caso, estariam enquadradas esposas e filhos de trabalhadores rurais que atuam no meio urbano em busca de melhoria da renda. Essas pessoas atuariam como empregada doméstica, jardineiros, mecânicos e, em geral, têm salários maiores do que os pagos no campo. ''Esse comportamento contribui para aumentar a renda das famílias sem que elas percam a identidade'', salientou o professor. Esse movimento ainda seria responsável pelo fim do êxodo rural, que ocorreu fortemente no País nas décadas de 60 e 70.
''Podemos dizer que acabou o êxodo rural no Brasil, exceto em pequenos Estados do Nordeste. A atratividade das cidades diminuiu'', afirmou Del Grossi. No entanto, ele acrescentou que a população rural está em franca redução até mesmo devido ao avanço do perímetro urbano.
Congresso - A geração de emprego no campo também foi discutido ontem durante o 45º Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober), realizado no campus da Universidade Estadual de Londrina. O evento teve início no domingo e será encerrado amanhã. Conforme a organização, cerca de mil pessoas devem participar do congresso, que tem como tema ''Conhecimentos para a agricultura do futuro''.
Segundo o organizador do congresso, Joaquim Bento de Souza Ferreira Filho, este evento é o principal do País em economia rural e um dos mais importantes do mundo, devido à posição brasileira como produtor de grãos. Na sua avaliação, o Brasil está preparado para enfrentar a agricultura do futuro porque, atualmente, já é o principal exportador de commodities como soja e carne. ''Temos disponibilidade de terra, de trabalhadores e de ciência. Temos problemas, mas a ciência funciona'', observou.
Na sua avaliação, os entraves ao desenvolvimento da ciência seriam mais políticos do que estritamente técnicos. ''Os avanços da biotecnologia, por exemplo, não podem atrasar devido à burocracia existente no País. O Brasil não pode ficar atrasado nesta questão tecnológica'', afirmou Bento.

mockup