Cresce emprego formal em cidades do interior
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sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Aline Machado Parodi Reportagem Local 
O contingente de quase 13 milhões de desempregados no Brasil apresenta, apesar de timidamente, sinais de diminuição desde o ano passado. O mercado começa a recompor os postos de trabalhos e, segundo os economistas, deve manter a recuperação este ano, apesar dos especialistas divergirem em relação a sua velocidade. O consenso é que a redução da taxa de desemprego depende das políticas públicas adotadas pelos novos governos estadual e federal.
O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou dados sobre o mercado de trabalho formal no Paraná, baseados em informações da Rais 2017 (Relação Anual de Informações Sociais), que mostram o crescimento da contratação com carteira assinada no Estado e no Brasil.
Pela pesquisa, que engloba celetistas e estatutários (servidores públicos), constata-se uma alta de 0,48% do emprego formal no Brasil, em 2017.O Paraná apresentou alta de 0,50%, com a criação de 15.087 empregos. Em relação a remuneração, o desempenho paranaense teve alta de 3,93%, acima da média nacional (2,12%).
Houve geração de postos de trabalho em 71,43% dos municípios paranaenses. Nova Fátima (Norte) apresentou o maior crescimento em termos relativos (76,74%), seguido por Rio Bom (34,31%), no Vale do Ivaí; e Dois Vizinhos (31,74%), no Sudoeste.
A evolução positiva ficou concentrada nos municípios do Interior. A RMC ( Região Metropolitana de Curitiba) teve redução de 18.127 empregos. O Interior apresentou uma geração de 33.214 empregos. Entre os que mais perderam emprego estão Curitiba (-19.463), Londrina (-3.144) e Matinhos (-2.522).

INFLUÊNCIA
O economista e supervisor técnico do Dieese Paraná, Sandro Silva, afirmou que o aumento da remuneração média foi influenciado pelos setores que mantiveram a geração de emprego. "São setores que têm uma remuneração maior como a indústria, administração pública e serviço, puxado pelas instituições financeiras. Aquilo que caiu [setores] tem uma remuneração mais baixa, como por exemplo, a construção civil", explicou Silva.
Em relação ao comportamento do emprego, os oito setores de atividades cinco apresentaram queda, na comparação com 2016, e três altas. Os aumentos correram na indústria de transformação (1,87%), na administração pública (1,65%) e nos serviços (1,34%). As quedas foram na construção civil (-8,81%), extrativa mineral (-6,47%), agropecuária (-1,54%), comércio (-0,75%) e nos serviços industriais de utilidade pública (-0,07%).
De acordo com economista do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep/Senar (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Jefrey Kleine Albers, a queda na força de trabalho no campo é um reflexo natural o aumento da tecnologia.
CARTEIRA ASSINADA
Silva chama a atenção de que os dados da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que considera também os empregos informais, não foram tão positivos. Houve crescimento da força de trabalho, mas com aumento da taxa de informalidade que passou de 40,4%, no quarto trimestre de 2016, para 43,4%, no mesmo trimestre de 2017. "De certa forma houve uma piora da qualidade do emprego", ressaltou o economista.
Entre 2016 e 2017, a psicóloga Lenize Gibelato Madureira, 29, transitou entre a formalidade e a informalidade. Ela decidiu deixar de ser celetista para abrir um negócio próprio, mas percebeu que precisava da estabilidade da carteira assinada. "Fiquei um ano desempregada. Foi uma opção para buscar novos desafios. Mas, depois de seis meses, percebi que gosto da estabilidade de ter um salário todo o mês", contou Madureira.
O retorno ao emprego formal não foi fácil. Ela buscava vagas em sites e agências de emprego. "Foram três meses procurando até ser contratada em julho de 2017 como assistente de recursos humanos", disse. Ela afirmou que encontrar uma vaga foi mais fácil dessa vez, em comparação com 2012, quando também ficou desempregada. Naquela época, o emprego formal no Paraná estava em alta, com crescimento de 3,88%, em relação ao ano anterior. "Desta vez já estava formada, com pós-graduação. Isso fez diferença no mercado", avaliou.
A auxiliar de gestão Ana Beatriz Campana Beccati, 23, ficou sete meses desempregada até conseguir uma vaga de estágio e, na sequência, ser contratada. "Foi bem complicado, fiz algumas entrevistas. O complicado é que trabalho principiante era com recrutamento e seleção, mas naquele momento as empresas estavam demitindo", contou Beccati. Ela está há um ano e quatro meses na empresa.
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