Curitiba O aumento da emissão de cheques sem fundo está tirando o sono dos comerciantes. Nos últimos três meses, a Associação Comercial do Paraná (ACP) registrou um aumento na reclamação dos comerciantes sobre documentos fraudados e cheques sem fundo que estão circulando no mercado. A emissão de cheques falsos está atingindo todos os setores do comércio, desde financeiras e bancos até lojas de departamentos, supermercados e postos de gasolina.
Segundo a Polícia Civil, em junho foram registradas 322 ocorrências sobre cheques roubados e 586 sobre documentos roubados em junho. Em maio foram registradas 354 ocorrências atribuídas a cheques roubados e 616 a documentos fraudados.
Para o comerciante Amarildo Espolador, sócio-proprietário da loja de calçados ''Planeta Pé'', de Curitiba, a situação está preocupando muito o comércio. Em sua loja, entre 2% e 2,5% do faturamento bruto é de cheque sem fundo. ''Esse volume faz muita falta no fechamento das contas porque a gente tem que honrar nossos compromissos com os fornecedores'', lembra.
Espolador acha que a situação para os comerciantes está ficando muito injusta, porque ele perde a mercadoria vendida e não tem como pagar os fornecedores. Já os consumidores que emitiram cheques sem fundo, ficam com o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (Seproc) por cinco anos e nada acontece com ele. ''Depois de cinco anos, esse consumidor volta a ter crédito na praça''. O comerciante defende medidas mais severas para os correntistas que emitirem cheques sem fundo e mais rigor dos bancos ao conceder os talões de cheques.
O comerciante acredita que o consumidor está perdendo o controle quando emite o cheque. Para Espolador, o consumidor faz uma previsão ao fazer a conta, mas depois de 30 ou 60 dias, o dinheiro que havia previsto para pagar aquele produto acaba sendo destinado para o pagamento de uma conta de luz, água ou telefone, que está subindo muito e o salário não acompanha esses aumentos.
O coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro concorda com essa avaliação. Segundo ele, o aumento das tarifas públicas está deteriorando o orçamento das famílias. Por outro lado, ele aponta o desemprego como um dos fatores dos casos de emissão de cheques sem fundo.

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