O volume de cheques sem fundo que passou pelo setor de compensação do Banco do Brasil apresentou um crescimento nos dois últimos meses no Estado. O índice de devolução foi de 2,03% em relação ao total de cheques recebidos em agosto. O percentual ficou acima dos 1,68% da média semestral. O aumento pode representar uma pequena retomada nas vendas. O crescimento da emissão de cheques sem fundo, normalmente, acompanha o aumento das vendas no comércio.
De março até agosto deste ano, o Banco do Brasil recebeu 28,4 milhões de cheques. Deste total, 529,3 mil foram recusados pela compensação. A assessoria do banco informa que a quase totalidade de devolução se refere a cheques sem fundos. Um pequeno percentual é rejeitado por erro de preenchimento, rasura ou falta de assinatura.
O crescimento dos cheques sem fundo nos últimos dois meses, vai na onda contrária da média nacional registrada pelo Banco do Brasil. O setor de fiscalização do banco divulgou nota, mostrando que houve uma queda de 16% na emissão de cheques sem fundo entre janeiro e agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
O setor de compensação bancária registrou neste primeiro semestre 35,9 milhões de cheques sem lastro. No ano passado foram 42 milhões no mesmo período. O total de cheques emitidos foi de 1,9 bilhão neste ano, 155 milhões a menos do que no ano passado. A redução foi de 7%.
Os comerciaantes, que já aprenderam a conviver com os cheques sem fundo, dizem que qualquer queda ou aumento no número deles está relacionado com o aquecimento das vendas a prazo. ‘‘Normalmente, os consumidores fazem a opção pelo pagamento parcelado e para pagar as prestação emitem os pré-datados. São estes pré-datados que acabam se transformando em sem fundos’’, avalia o vice-presidente da Associação Comercial, Luiz Nardeli.
Os lojistas não têm como se proteger da incidência do cheque sem fundo. O único mecanismo para evitar a inadimplência é a consulta ao Serviço de Proteção do Crédito. Mas o serviço informa apenas se o comprador está ou não inadimplente. Hoje, 34% da população economicamente ativa está com registro no SCPC. Popularmente, se diz que estão com o nome ‘‘sujo na praça’’.

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