Cresce em 7,5% o número de famílias endividadas
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O número de famílias brasileiras endividadas cresceu 7,5% em 2013: 9,1 milhões de famílias declararam ter dívidas no ano passado, contra 8,5 milhões em 2012. O resultado da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), foi divulgado ontem.
Como a inadimplência média se manteve estável e houve uma melhora no perfil das dívidas, o crescimento do endividamento não pode ser considerado negativo, segundo Marianne Hanson, economista da CNC. "O número de contas em atraso ficou estável e as famílias estão mais otimistas em relação à sua capacidade de pagar essas contas", disse.
O número médio de famílias com contas em atraso em 2013 ficou em 3,043 milhões, alta de apenas 0,1%. Segundo o estudo da CNC, 21,2% da média total de famílias entrevistadas ano passado declarou ter alguma conta em atraso. Mas o número médio de famílias que declararam não ter condições de pagar esses débitos recuou 1,6%.
Sobre o perfil das dívidas, prazo médio maior, menor comprometimento da renda e mudanças na composição dos tipos de endividamento apontam para um cenário melhor nos últimos anos. De 2012 para 2013, o prazo médio das dívidas passou de 6,53 meses para 6,74 meses, enquanto a parcela média da renda comprometida com dívidas caiu de 30% para 29,4%. Segundo a economista da CNC, a ampliação dos prazos permitiu a queda no comprometimento da renda, apesar da elevação do custo das dívidas com os aumentos de juros.
Na composição dos tipos de dívida, a economista chama atenção para o crescimento do crédito imobiliário e para a compra de veículos. O financiamento de casa foi citado como dívida por 6,1% das famílias em 2013. Em 2012, estava em 4,5% e, em 2010, ficou em apenas 3,2%.
O principal tipo de dívida foi o cartão de crédito, citado por 75,2% das famílias na média de 2013 (ante 73,6% em 2012). Segundo Marianne, esse avanço tem a ver com o maior acesso da população a serviços bancários (em 2010, 70,9% das famílias declaravam ter esse tipo de dívida). A pesquisa não mede se a família está no crédito rotativo - mesmo quem paga a fatura do cartão em dia pode ser considerada endividada.
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, o resultado da pesquisa é positivo. "Esse aumento do endividamento sem aumento da inadimplência é saudável", declara. Ele afirma que o brasileiro vem tomando crédito mais barato e com prazo mais estendido de pagamento e que programas do governo como o Minha Casa Melhor (que oferece financiamento para compra de móveis) ajudam a impulsionar a economia.
De acordo com Balan, o aumento do endividamento das famílias reflete a performance do comércio de Londrina, que, no ano passado, cresceu em média 3% na comparação com 2012. "O importante é que o consumidor continue atento para não comprometer mais de 30% de sua renda com dívidas e evitar problemas de fluxo de caixa ao final do ano", declara. Ele acredita que 2014 será um ano de estabilidade na contração de dívidas pelos brasileiros.
Para Nestor Correia, presidente do sindicato que representa as imobiliárias (Secovi), o aumento no número de famílias que contraíram dívidas com financiamento de casa própria é "muito saudável". "Comprar a casa própria, de certa forma, é uma poupança porque a pessoa deixa de pagar aluguel", afirma. Além disso, na opinião dele, a aquisição da casa "transmite segurança" à família, que pode passar a privilegiar, por exemplo, os estudos dos filhos.
De acordo com Correia, 2013 foi um ano "bom" para o mercado imobiliário londrinense, depois de um ano "excepcional" (2012). "A tendência agora é de estabilidade. As pessoas não vão comprar mais casas de forma afoita, mas vão continuar comprando", declara. (Com Agência Estado)



