BRASÍLIA - O Brasil teve um déficit de US$ 24,34 bilhões na conta de transações correntes do balanço de pagamentos em 1996, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Centrol. O déficit foi equivalente a 3,27% do Produto Interno Bruto (PIB), que mede o valor da produção do País no ano. Os números pioraram em relação a 95, quando foi registrado déficit de US$ 17,7 bilhões, correspondendo a 2,47% do PIB. O déficit, entretanto, foi coberto pelo ingresso maciço de recursos externos na economia no ano passado.
A conta de transações correntes soma os resultados da balança comercial (exportações menos importações), serviços (juros, viagens e outras despesas) e transferências unilaterais, que incluem, por exemplo, o dinheiro enviado ao País por brasileiros residentes no exterior. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, a deteriorização das contas externas foi provocada principalmente pelo resultado negativo da balança comercial, que registrou déficit de R$ 5,5 bilhões, bem superior ao esperado pelo governo, e pelo crescimento das despesas com juros.
Os gastos líquidos com juros subiram de US$ 8,15 bilhões em 95 para US$ 9,84 bilhões no ano passado. O ingresso de recursos externos na economia atingiu o volume recorde de US$ 79 bilhões em 96 (contra US$ 53,9 bilhões em 95), considerando todas as modalidades de operação, como investimentos diretos, empréstimos, lançamentos de títulos e aplicações no mercado financeiro e nas bolsas de valores.

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