Cresce crise Argentina. FMI nega apoio
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terça-feira, 30 de outubro de 2001
Das Agências<bR> De São Paulo 
O Fundo Monetário Internacional declarou ontem que ''no momento não participa de negociações ou toma medidas tendo em vista a troca da dívida argentina, muito menos tem o que dizer sobre o adiantamento de empréstimos para apoiar o pacote econômico que supostamente Domingo Cavallo elabora''. Os números que medem a credibilidade da dívida e da moeda argentinas nos mercados internacionais indicam que os investidores esperam calote ou dolarização. Dados do Ministério da Economia e estimativa do Commerzbank indicam que o governo argentino tem de pagar, entre principal da dívida e juros, cerca de US$ 1,8 bilhão em novembro e US$ 2,5 bilhões em dezembro. Não há dinheiro suficiente. A fim de honrar seus compromissos, a Argentina tem de trocar a dívida atual por dívida de prazo mais longo, diminuir repasses aos governos regionais e precisa do dinheiro antecipado do FMI, que, com o anúncio de ontem, distancia-se publicamente do ''Plano Cavallo''.
Antes do anúncio do FMI, o economista-chefe do BIC Banco, Luís Rabi, afirmava ontem que o ''Dia D'' da Argentina está chegando. Rabi disse as chances da moratória aumentam. Ele citou como exemplo os dados divulgados sobre o risco de ontem, que passou dos dois mil pontos e é o maior do mundo. Para ele, esse número é o de um País quebrado, ''só falta alguém avisar que ele está quebrado''.
As notícias vindas da Argentina ecoaram no mercado financeiro brasileiro ontem. A falta de avanços da renegociação da dívida argentina refletiram na Bovespa. Somente no final dos negócios brasileiros, a Bolsa de Buenos Aires reagia, para fechar em alta de 1,27%. Sem forças, a Bovespa fechou em baixa de 3,11%, com volume financeiro de R$ 451 milhões.
Na Argentina, houve poucos sinais e negativos, durante o horário do pregão brasileiro. Os depósitos no sistema bancário caíram 289 milhões de pesos na quinta-feira passada e podem ter recuado mais 400 milhões na sexta-feira - sinal inequívoco de desconfiança dos investidores domésticos. O risco país cravou novo recorde, ao atingir 2.125 pontos base.
Para piorar a situação, o Ministério de Economia da Argentina publicou ontem, no Diário Oficial, um decreto que reduz a zero a tarifa de importação de bens de capital, informática e telecomunicações de países que não fazem parte do bloco regional. A medida pode abrir nova ''guerra'' com o governo brasileiro.
Do lado doméstico, um dos únicos eventos que mobilizaram a atenção dos investidores foi o tiroteio judicial por conta do leilão de privatização da Copel, adiado no final da tarde pelo governo paranaense. A ação PNB da estatal caiu 4,46%.


