São Paulo - Os países emergentes estão mudando o perfil e patamar do mercado de luxo no mundo. Graças ao enriquecimento da população nessas regiões, essa indústria já movimenta quase 160 bilhões de euros, praticamente duas vezes mais que há dez anos, quando havia um número limitado de marcas e basicamente consumidores japoneses, americanos e europeus.
Na nova configuração, o Brasil aparece com destaque. Embora ainda seja um grão de areia nesse universo, com faturamento de 1 bilhão de euros em 2006, a indústria de luxo brasileira teve o melhor desempenho entre os países desenvolvidos e emergentes. O avanço foi de 35%, segundo estudo da consultoria americana Bain & Company.
China, Índia e Rússia também mereceram atenção. Nesses países, o mercado cresceu, respectivamente, 30%, 25% e 20%. ''Não incluímos países como a Polônia ou outros mercados pequenos, que podem ter crescido mais de 35%. Mas são países muito imaturos ainda. Nós consideramos que o Brasil teve a performance mais importante do ano passado'', explica Claudia D'Arpizio, sócia da filial italiana da consultoria e responsável pela pesquisa. A base do Brasil é menor que a da China e Rússia, onde esse mercado já movimenta 3 bilhões.
O crescimento e a estabilidade da economia e, consequentemente, o enriquecimento da população são apontados como os principais motivos desse ciclo de prosperidade no Brasil. ''Há muitas novas fortunas surgindo via mercado de capitais, com o boom dos IPOs (sigla em inglês para oferta inicial de ações)'', diz o presidente da Bain & Company no Brasil, Stefano Bridelli.
De 2004 até hoje, foram levantados R$ 57 bilhões em ofertas secundárias, dinheiro que vai para a mão dos sócios. Segundo o último relatório do banco Merrill Lynch, o número de milionários cresceu 10,1% em 2006. O País tem 120 mil pessoas com investimentos acima de US$ 1 milhão.
A entrada de novos consumidores mudou o perfil das compras e está obrigando as empresas a estudar o comportamento desse público para criar estratégias. Um bom sinal da mudança está nas vendas de acessórios, como bolsas e sapatos, considerados de entrada. O avanço foi de 15% no mundo, o melhor desempenho entre todas as categorias. Marcas de ''luxo acessível'' faturaram 22% mais na Ásia, que concentra os novatos. O tempo do luxo para poucos é passado.

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