Cresce aplicação em ações
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de maio de 1997
Agência Estado 
O crescimento expressivo dos fundos de ações carteira livre neste ano mostra que as Bolsas começam a atrair o investidor brasileiro. Estimulada pelo excelente desempenho dos mercados acionários em 1996 e no primeiro quadrimestre deste ano, uma parte maior de aplicadores passou a apostar nessas aplicações.
O incremento do patrimônio dos carteira livre neste ano impressiona. No fim do ano passado, o saldo total desses fundos era de R$ 3,421 bilhões, conforme dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). No dia 14 de maio, o patrimônio dos carteira livre havia subido para R$ 9,500 bilhões, um salto de nada menos de 177,65%.
Em 1996, o IBovespa (índice que mede a variação das 48 ações mais negociadas na Bolsa paulista) teve valorização de 63,76%. De janeiro a abril deste ano, avançou mais 41,79%. E, embora existam fatores que podem trazer incerteza às Bolsas, como a lentidão no andamento das reformas e a crise política causada pelas denúncias de compra de votos para aprovar a reeleição, a perspectiva de privatização das empresas do setor de telecomunicações e de energia elétrica pode dar impulso aos mercados de ações nos próximos meses.
Além da vistosa rentabilidade acumulada recentemente pelas Bolsas, o sócio-diretor da Linear Investimentos David Gotlib aponta a queda dos juros como um dos principais motivos para a transferência dos recursos da renda fixa para a renda variável. Atualmente, ainda que um fundo de 60 dias ofereça rendimento acima da inflação, o ganho nele é modesto se comparado com a expectativa de retorno das Bolsas.
Outro fator que explica o crescimento do patrimônio dos carteira livre é a própria valorização das cotas dos fundos, em virtude da alta das Bolsas. Segundo a Anbid, o rendimento bruto desses fundos foi de, em média, 30,15% de janeiro a 14 de maio.
Nesse período, a rentabilidade média dos fundos de ações tradicionais foi um pouco maior, de 34,07%. Em 1996, porém, os carteira livre avançaram bem mais: 47,15%, contra 33,74% dos tradicionais.


