Cresce adesão ao programa de demissões voluntárias na Volks
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
Agência Folha São Paulo do Campo 
Arquivo FolhaGarantia de empregoMarinho, do Sindicato dos Metalúrgicos, durante assembléia: Queremos discutir o futuroEm apenas um dia, mais 302 metalúrgicos aderiram ao programa de demissões voluntárias da Volkswagen nas unidades de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) e Taubaté (interior paulista). Até a última sexta-feira, 528 funcionários haviam aderido ao programa. Ontem, com a volta dos trabalhadores das férias coletivas, as adesões cresceram.
No total, foram registradas ontem 830 adesões e 2.630 consultas ao programa. Se continuar nesse ritmo, até a próxima sexta-feira o programa pode ultrapassar 2.000 adesões. A previsão da montadora era que o programa, aberto no último dia 17, atingisse de 5% a 10% dos 31,5 mil funcionários da empresa - de 1.575 a 3.150 pessoas.
O diretor de Recursos Humanos da Volks, Fernando Tadeu Perez, 43, disse ontem que a estimativa é que haja 2.500 adesões (2.000 na unidade de São Bernardo e 500 na de Taubaté). O programa termina na próxima sexta-feira. A unidade da Anchieta (São Bernardo) terá mais adesões pois é um complexo industrial. Já em Taubaté, a fábrica é mais enxuta e moderna. Não vamos descartar a hipótese de, se necessário, discutir a transferência de funcionários para lá.
Volks e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC terão amanhã, às 14h, nova rodada de negociação para buscar alternativas para reduzir os custos da montadora em R$ 200 milhões. A folha de pagamento é hoje de R$ 1,3 bilhão por ano (computados os benefícios).
O fechamento de um acordo final só deverá sair após o resultado das demissões voluntárias, considerado peça-chave nas negociações. Antes de aprová-lo, o sindicato quer submeter o acordo a uma assembléia com os 22 mil metalúrgicos da unidade de São Bernardo na próxima semana.
O presidente do sindicato, Luiz Marinho, disse ontem querer no acordo uma garantia da Volks de que os novos modelos da montadora - o projeto PQ 24 - sejam produzidos na fábrica da Anchieta. Se nós construirmos um acordo envolvendo um conjunto de pontos, precisamos exigir que a fábrica assine a garantia de trazer para cá o projeto dos novos carros para substituir os veículos hoje produzidos no Brasil, o chamado projeto PQ 24, afirmou Marinho, durante assembléias ontem de manhã na Volks.
Com o projeto PQ 24, a Volks quer substituir, a partir do ano 2000, os veículos Gol, Parati e Saveiro por uma nova família de carros. Segundo Marinho, o sindicato quer ter a segurança do futuro da fábrica. Queremos discutir essa fábrica do ano 2005, do 2010.
Nas assembléias de ontem, Marinho detalhou as propostas que estão na mesa de negociação com a Volks. Não houve votação de qualquer proposta nas assembléias, que foram apenas informativas. O único ponto já fechado é a abertura do programa de demissões voluntárias, mas a Volks já concordou com a ampliação do banco de horas - trabalhar quatro dias por semana agora e, com a retomada da economia, compensar com seis dias por semana, sem alteração salarial.
Estão na mesa de negociação uma possível redução em 50% do pagamento das horas extras; o adiamento do pagamento da primeira parcela do 13º salário e a suspensão do abono pecuniário (o trabalhador não poderia vender dez dias de férias).


