Conquistando cada vez mais criadores de gado de corte e de leite, o mercado de inseminação artificial segue aquecido no Brasil. De acordo com dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), de 2009 a 2014 as vendas de doses de sêmen para a pecuária de corte cresceram 58,5%. No ano passado, foram comercializadas no País mais de 7 milhões de doses de material genético bovino. O assunto foi um dos temas discutidos no V Simpósio Eficiência em Produção e Reprodução Animal, evento de dois dias que termina hoje na ExpoLondrina.
Luigi Carrer Filho, diretor de atividade agroindustrial da Sociedade Rural do Paraná (SRP) e um dos coordenadores do evento, afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de embriões em laboratório do mundo graças à inserção da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que é um protocolo farmacológico que induz a atividade ovariana das fêmeas para a sincronização da ovulação de matrizes.
Sem essa indução, um lote de fêmeas pode ter cios alternados, o que obriga a permanência de um funcionário no plantel para identificar as fêmeas que entram no cio em determinado período reprodutivo. Carrer Filho salienta que essa técnica é uma das mais utilizadas em sistema de inseminação artificial. O especialista destaca que a técnica ajuda o produtor a obter bons resultados.
Um exemplo que Carrer Filho cita é o cruzamento de raças zebuínas com as europeias. O resultado é um animal com alto índice de precocidade, bom ganho de peso, além de resultar em um boi mais rústico, que se adapta a ambientes mais quentes. "Além disso, o pecuarista consegue agregar valor ao seu produto", destaca o diretor da SRP.
Carrer Filho observa que muitos chegam a pagar de 5% a 10% a mais pela arroba para uma carne de alta qualidade. O investimento começa com a aquisição de material genético. Cada dose de sêmen das raças Angus e Nelore varia entre R$ 15 e R$ 18. O especialista destaca que muitos acham o valor caro, mas não olham o retorno que o investimento proporciona.
No Paraná, que possui um rebanho de corte de 6,5 milhões de cabeças, o uso da inseminação artificial também tem ganhado adeptos. Segundo Carrer Filho, como o rebanho do Estado é pequeno, além de poucas áreas de pastagens, a inseminação tem sido uma das únicas alternativas de se obter um maior volume de carne em um menor espaço.

Gado de Leite


O veterinário e consultor independente Marcelo Kunz explica que a inseminação artificial também está bem presente na pecuária leiteira. Só no ano passado, de acordo com dados da Asbia, foram comercializadas quase 5 milhões de doses de sêmen em todo o Brasil. Há cinco anos, o volume era de apenas 3,68 milhões de doses. O Paraná corresponde a 14% da aquisição de doses de sêmen de gado de leite.
Com a inseminação, Kunz destaca que é possível selecionar animais mais resistentes a determinadas doenças e proporcionar ao produtor um maior índice de produtividade. Kunz frisa que a propriedade que quer trabalhar com inseminação artificial necessita de uma boa estrutura. Ele explica que a área precisa de um bom curral, tronco de contenção e mão de obra qualificada.

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