Cresce a oferta de locação em SP
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domingo, 12 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaNa avenida Paulista, preço do aluguel caiu 1,75% em fevereiroO mercado de locação comercial está passando por dificuldades parecidas com o de locação residencial. Alguns inquilinos estão com dificuldades para pagar o aluguel, outros estão entregando as chaves do imóvel. A oferta é grande e a procura, pequena, exceto nos prédios de alto nível, normalmente alugados para a ocupação de grandes empresas, como bancos, cartórios.
Maria Fernanda Gonçalves, diretora de Locação da administradora de imóveis Coelho da Fonseca, em São Paulo, comenta que no mercado de locação comercial houve um aquecimento nos últimos quatro meses, mas somente nos prédios mais modernos, chamados de inteligentes, com espaços acima de 500 metros quadrados. Maria Fernanda explica que esses espaços estão sendo ocupados por empresas internacionais que estão vindo instalar-se no Brasil em processo de fusão com empresas nacionais.
Hubert Gebara, diretor da Hubert Imóveis, diz que só está havendo entrega de chaves de imóveis menores, em prédios antigos, localizados em ruas que deixaram de ser grandes centros comerciais. Além disso, explica Gebara, está havendo um enxugamento dos espaços ocupados por profissionais liberais (médicos, advogados, dentistas, etc.), que passaram a ocupar ambientes menores. Para tentar cortar despesas, muita gente está trabalhando em casa.
Em relação às dificuldades do inquilino para quitar o aluguel, no setor de locação comercial, nas duas administradoras o que está ocorrendo é apenas um pouco de atraso no pagamento, que, no entanto, não caracteriza inadimplência que leva ao despejo. Sem contar que o proprietário de imóvel comercial normalmente é mais ágil para fazer acordos, quando o cliente é bom (paga em dia e cuida bem do imóvel).
Na última pesquisa sobre locação comercial feita pela Hubert Imóveis nas principais regiões da capital paulista (área central, Paulista e Faria Lima), em fevereiro, foi encontrada uma variação negativa de 1,75% em relação a janeiro, nos preços dos aluguéis de mercado dos imóveis comerciais. Nos 12 meses anteriores (de março de 1997 a fevereiro de 1998), também houve queda de 0,50%. Mas durante o período do Plano Real (de julho de 1994 a fevereiro de 1998), a alta média ficou em 98,65%, enquanto a inflação do mesmo período apurada pelo IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ficou em 59,24%.
A elevação de 24,74% acima da inflação apurada no Real, segundo Gebara, consolida o segmento de imóveis comerciais para locação como excelente investimento de longo prazo.


