O excesso de burocracia para a troca de informações e a falta de integração entre os Ministérios Públicos de cada país estão favorecendo a ação de especialistas em lavagem de dinheiro nos países do Mercosul. Segundo o fiscal geral da Procuradoria de Justiça da Argentina, Santiago Teruel, as leis para coibir a ação de traficantes e integrantes do crime organizado na lavagem de dinheiro existem, mas falta coordenar as ações para que o trabalho fiscalizatório seja mais eficiente. ‘‘A expectativa é que sejam lavados anualmente cerca de US$ 800 milhões no mundo’’, disse.
Esta preocupação motivou a realização do 2º Seminário sobre Lavagem de Dinheiro dos Bancos Centrais do Mercosul, que aconteceu segunda e terça-feira em Curitiba. O evento conta com a participação de representantes dos BCs da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, federação de bancos de todos os quatro países e integrantes da Justiça e do Ministério Público. Este é o segundo seminário sobre lavagem de dinheiro promovido pelos BCs. O primeiro evento aconteceu em maio, na cidade argentina de Buenos Aires. A previsão dos organizadores é que a reunião deve se repetir a cada seis meses.
Segundo Teruel, a burocracia impede que a troca de informações entre os MPs de cada país seja eficiente, o que impede o êxito das investigações de operações suspeitas, levantadas pelos BCs. ‘‘Quando a informação chega, muitas vezes o dinheiro já sumiu e a pena para quem lava dinheiro é de cinco a dez anos e o sequestro de bens acaba ficando sem efeito’’, constata. Em razão disto está em estudo a realização de convênios entre os Ministérios Públicos para corrigir deficiências e agilizar as investigações.
O coordenador do evento, agente de Desenvolvimento e Treinamento do Banco Central, Armando Pastore Ribeiro, disse que como a lavagem de dinheiro envolve sempre dois países, os ajustes na legislação e a troca de informações são fundamentais para deter a ação do crime organizado. Ribeiro informou, que o problema vem ganhando importância em todo o mundo, razão pela qual a Organização das Nações Unidas (ONU), enviou uma representante para observar e enviar um relatório para a entidade.
O coordenador informou que a legislação tem apresentado evoluções, como a exigência da identificação da origem do dinheiro e do crime não prescrever, mesmo depois do dinheiro ter sido ‘‘lavado’’. ‘‘Também é importante deter este tipo de operação para evitar que o crime organizado e o tráfico internacional não tenham onde aplicar o seu dinheiro sujo’’, disse Ribeiro.

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