Rio de Janeiro - O otimismo do brasileiro quanto ao futuro da economia nos próximos seis meses levou à recuperação da confiança do consumidor em janeiro, segundo pesquisa apurada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ontem, a instituição anunciou a quarta edição do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que subiu 6,7% em janeiro ante dezembro. No último mês do ano, o indicador teve alta de apenas 0,6% ante novembro. Para a FGV, a melhora foi causada por uma combinação de fatores, como a expectativa de continuidade na queda de juros; arrefecimento da crise política; inflação em queda; melhora em indicadores de emprego e de renda; e perspectiva de reaquecimento na economia.
O ICC foi calculado com base nos resultados de uma pesquisa realizada desde 2002. O Indice é composto por cinco perguntas da sondagem e o universo da pesquisa abrange 2.000 domicílios. Esse índice é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual, que subiu 5% em janeiro, ante alta de 3,6% em dezembro; e o Índice de Expectativas, que aumentou 7,5% em janeiro, ante queda de 1% em dezembro. Esse último foi o que mais contribuiu para a melhora do ICC em janeiro.
O coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aloísio Campelo, explicou que o otimismo do consumidor é originado da melhora nas expectativas quanto à situação econômica local (ou seja, em sua cidade). A parcela dos entrevistados que espera melhora nesse quesito, nos próximos seis meses, avançou de 23,5% em dezembro para 30,5% em janeiro. ''Esse resultado foi o que teve maior peso no avanço do ICC em janeiro. Esse quesito é muito influenciado pela expectativa de melhora na economia do País'', disse Campelo.
Mesmo com o grande salto na elevação do ICC, de dezembro para janeiro, o economista não quis classificar o resultado da pesquisa como demonstração de ''superotimismo'' do consumidor. ''Não podemos nos esquecer de que a confiança do consumidor caiu durante meses, no ano passado. O que está ocorrendo agora é uma recuperação'', disse.
Inflação - Segundo dados da sondagem, a projeção do consumidor para a inflação nos próximos 12 meses passou de 7,9% em dezembro para 7,2% em janeiro. Além disso, a pesquisa também mostrou que a parcela dos entrevistados que acreditam em aumento nos juros passou de 25,6% em dezembro para 22,6% em janeiro. ''Isso combina com o resultado já detectado, de que o consumidor espera uma inflação mais baixa este ano'', afirmou.

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