Cresce 54% a inadimplência no crédito pessoal
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2001
Das agências De Brasília 
A inadimplência no crédito pessoal teve um aumento de 54% entre junho do ano passado, quando estava em 3,5%, e janeiro último, quando fechou em 5,4%. Os números foram divulgados ontem pelo Banco Central e consideram os créditos com atraso acima de 90 dias. Segundo os dados do BC, o crescimento do volume emprestado ficou muito abaixo do da inadimplência, pois foi de aproximadamente 30% no período. Em janeiro, o total de empréstimos pessoais atingiu R$ 16,274 bilhões ante os R$ 12,486 bilhões de junho de 2000.
No cheque especial, a trajetória de inadimplência foi semelhante. Com um percentual de 4,3% em dezembro, registrou um aumento de 59% em comparação com junho, quando era de 2,7%. Em janeiro, no entanto, os atrasos tiveram uma pequena retração, caindo para 4,2%, o que ainda significa um aumento de 55% em relação ao percentual de junho. O volume de recursos do cheque especial fechou janeiro em R$ 7,41 bilhões comparados aos R$ 6,4 bilhões de junho do ano passado.
Na avaliação do diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, apesar dos aumentos, os índices de inadimplência podem ser considerados moderados. Ele disse que não há sinal de que o sistema financeiro esteja perdendo o controle na concessão destes créditos. Goldfajn acredita que a elevação da inadimplência nas duas linhas de crédito está contaminada pela taxas de juros. Ou seja, as taxas de juros altas dificultam o pagamento da dívida. No caso do crédito pessoal, o diretor disse que os atrasos têm aumentado por causa da migração dos devedores do cheque especial.
Os juros cobrados dos clientes pelos bancos tanto empresas quanto pessoas físicas caíram em praticamente todas as modalidades no mês passado. Os juros cobrados nos empréstimos a pessoas físicas caíram, em média, de 50,7% ao ano para 48,6% no mês passado. No cheque especial, a redução foi menor: a taxa anual passou de 136,9% para 136%. Os juros cobrados no crediário registraram queda maior eram 66,5% ao ano em dezembro e passaram para 61,3% no mês passado.


