Rio de Janeiro A empresa aérea resultante da fusão entre Varig e TAM nascerá ''zerada'' de dívidas e os credores atuais terão de aceitar perdas nos créditos que teriam a receber. O cenário foi traçado ontem pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa, e leva em conta que, sem a fusão, os valores que os credores têm a receber tendem a ''virar pó''.
Segundo Lessa, pelo modelo proposto, a nova empresa não assumirá nenhum passivo das atuais companhias. ''A nova companhia vai voar em céu de brigadeiro'', comentou. O executivo não estimou qual seria o nível dessas perdas, que equivaleriam a um deságio, nem como seria a participação acionária dos credores. Segundo fontes que acompanham o processo, depois da assinatura do compromisso de fusão começarão as negociações com os credores.
O presidente do BNDES acredita que o contrato preliminar para a fusão das companhias será assinado sexta-feira. A expectativa é de que a decisão liminar concedida em favor do executivo Gilberto Rigoni, autorizando sua volta à presidência do conselho da FRB-Par - holding de investimentos da Fundação Ruben Berta (FRB) -, será cassada. Rigoni tem se manifestado contrário à fusão Varig-TAM nas condições propostas pelo banco Fator, que está coordenando a operação.
Ontem, o advogado da FRB, Fernando Albino, entrou com recurso na Justiça contra a decisão da juíza da 2 Vara Empresarial do Rio, Gisele Guida de Faria, que anulou a destituição dos curadores da entidade, no fim de maio, e reconduziu Rigoni à presidência da holding do grupo. Até o início da noite, segundo a assessoria da companhia aérea, o recurso impetrado não havia sido julgado.
Lessa confirmou a previsão para assinatura do que chamou de compromisso de irreversibilidade da fusão. Segundo o executivo, o ato será assinado na presença dos ministros da Defesa, José Viegas, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e dos Transportes, Anderson Adauto. O banco já sinalizou que pode liberar recursos só depois de as empresas deixarem expresso que o negócio é irretratável.
O executivo voltou a afirmar que o banco estatal de fomento está disposto a alocar ''os recursos necessários'' para a viabilização de uma aviação comercial brasileira sadia''. ''O que estamos defendendo é manter uma aviação comercial que gere um superávit comercial de US$ 1 bilhão por ano'', disse Lessa, referindo-se ao resultado da balança de serviços, na qual são computados os números das vendas do setor.
Apesar da avaliação do banco, o compromisso de fusão registrará o firme empenho no sentido da fusão, mas não utilizará a expressão ''irreversibilidade'' ou qualquer outra similar. Uma fonte que acompanha a negociação diz que vai se tratar de compromisso, registrando as linhas gerais do acordo, indicando a prestação de serviços da Varig Engenharia e Manutenção (VEM), VarigLog e Sata à nova empresa e sem um desenho definitivo de participações acionárias.
Todas as arestas que distanciavam Varig e TAM haviam sido aparadas ontem, restando apenas poucos detalhes contratuais e a releitura do documento pelos advogados. A mesma fonte disse que a marca que será utilizada pela nova companhia não foi definida.

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