Credores da Inepar vão à Justiça
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Um grupo de credores da Inepar pretende cobrar na Justiça o resgate de R$ 2,5 milhões em debêntures não conversíveis em ações, já vencidos. Os credores não aceitaram o pedido da Inepar de prorrogar o vencimento do débito por mais 60 dias. Os R$ 2,5 milhões são parte de uma emissão de debêntures feita em 1996, no valor total de R$ 35 milhões.
A decisão dos credores de recorrer à Justiça para receber o devido será debatida em assembléia geral que será realizada no próximo dia 1º de fevereiro no Rio de Janeiro. A convocação está sendo feita pela Pentágono S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que representa o interesse dos debenturistas.
Procurada pela Folha, a Inepar não quis se pronunciar sobre o assunto, mas no mercado a informação corrente é de que as dificuldades da Inepar vêm desde meados do ano passado, quando a empresa chegou a anunciar a emissão de mais R$ 270 milhões em debêntures para solucionar um passivo da ordem de R$ 350 milhões.
Na época houve uma reestruturação na empresa e o grupo majoritário comandado pelo empresário Atilando de Oms Sobrinho deixou o comando. Atilano teria sido pressionado pelos Fundos de Pensão (Previ, Petros, Centrus e BNDESPar), que compõem a participação societária da Inepar, a aceitar que a empresa fosse administrada por um conselho de sócios.
A Folha apurou ainda que, nos bastidores, os sócios não estão se entendendo e as dificuldades financeiras da Inepar estariam sendo provocadas pelos sócios capitalizados (Fundos de Pensão), como estratégia para forçar a saída do grupo comandado por Oms Sobrinho. O fato é que a Inepar é uma empresa que cresceu muito e entre a composição societária há correntes que defendem o retorno da empresa ao seu principal foco que é o de energia.
A expectativa dos analistas de mercado é a possibilidade de ser anunciado para breve a entrada de um sócio estratégico que pode ser um grupo internacional. Esse anúncio seria feito, assim que os sócios liderados por Oms Sobrinho, assumirem a decisão de abandonar a presidência do grupo. Fala-se que os Fundos de Pensão, detentores do capital, adotaram a estratégia de deixar a empresa à mingua para forçar essa decisão. Como reflexo dessa situação, os funcionários estão com os salários atrasados desde o mês de novembro.
Agentes de mercado não interpretam esse quadro como problema financeiro da empresa, mas sim como estratégia de um dos grupos para forçar uma decisão definitiva na empresa. Analistas acreditam que a crise será encerrada ainda este mês.


