Credores adiam votação de plano de recuperação da Seara
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Victor Lopes e Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 

Em Assembleia Geral de Credores da Seara Agroindustrial, de Sertanópolis, os participantes votaram por adiar a aprovação do PRJ (Plano de Recuperação Judicial) da empresa por dez dias úteis, devido ao número de alterações propostas durante a discussão de terça-feira (22), no Buffet Planalto, em Londrina. Nova votação ocorrerá no dia 5 de fevereiro, no mesmo local.
A Seara Agroindustrial entrou com pedido de recuperação judicial em abril de 2017 e tem um passivo estimado em R$ 2,1 bilhões. Centenas de produtores e também representantes de diversos outros credores acompanharam durante toda a manhã a apresentação do PRJ, das recuperandas, que consistiu em expor de forma minuciosa a essência do plano, os principais meios de recuperação, como funcionaria o pagamento dos credores consolidados distribuídos em quatro classes, além de sugestões de análises para alterações.
Conforme a consultoria que subscreve o plano, a W.Quality, o objetivo principal é a "exposição patrimonial para diminuir o passivo, ingresso de recursos via empréstimo (DIP) e reestruturação da empresa para geração de caixa". O primeiro PJR foi apresentado em janeiro do ano passado e já passou por dois aditivos, um em outubro e outro na reunião de ontem.
Um dos pontos que mais gerou polêmica foi se, de fato, o empréstimo na ordem de R$ 77 milhões poderia ocorrer "para pagamento de credores estratégicos". A proposta final no dia definiu que, após a homologação do plano, produtores rurais com mais de R$ 15 mil a receber da Seara receberiam 100% do valor devido em 60 dias, caso a empresa conseguisse o empréstimo. Se isso não ocorresse, os bens seriam leiloados em vendidos em proposta fechada, com valor estimado em R$ 83 milhões, para pagar as dívidas com esse público.
Advogados de outros credores, principalmente de bancos mas também de pequenos produtores e cooperativas, contestaram a votação depois das mudanças no texto, porque afirmaram que são necessários, por lei, dez dias para análise do PRJ apresentado, antes da assembleia. Caso contrário, a decisão poderia ser anulada na Justiça. "O que inviabilizou [a votação] foram as diversas alterações propostas pelos credores. Aliás, o plano foi alterado em grande parte", disse o advogado Bruno Rafael da Silva Taveira, da Pantanal Agrícola.
Outro ponto de contestação foi que, sem a contratação do DIP antecipadamente, seria impossível aprovar o plano. Há dúvidas sobre a real situação da empresa, sobre o valor dos ativos móveis e imóveis da Seara, além da expectativa de caixa projetada para o futuro.
A EMPRESA
A Seara Agroindustrial tem sede em Sertanópolis, na Região Metropolitana de Londrina, e unidades espalhadas pelo Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Com 60 anos no mercado, chegou a ter faturamento de R$ 3,5 bilhões em 2016 com a atividade que incluem desde o planejamento da safra, passam pela colheita, transporte rodoviário e ferroviário, comercialização de grãos e distribuição para todo o mundo.
Os débitos chegam hoje a R$ 2,6 bilhões, dos quais R$ 2,1 bilhões legalmente cobertos pela recuperação judicial. O maior credor são os bancos, com um total R$ 1,7 bilhão. O motivo apresentado para o acúmulo de dívidas foi a crise financeira do País.
A empresa não tem relação com a Seara S.A., empresa do Grupo JBS.


