São Paulo A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de ampliar de 10% para 15% a disponibilidade de recursos para empréstimos a pessoas físicas para os participantes dos fundos de pensão poderá aquecer as vendas a prazo neste fim de ano. A expectativa é que a medida libere, a médio prazo, cerca de R$ 10 bilhões para empréstimos pessoais que poderão ser usados para o consumo ou pagamento de dívidas.
A medida deve baratear o custo do crédito, segundo avaliação do sócio da Stratus Investimentos e ex-assessor especial da Secretaria da Previdência Complementar (SPC), Samuel Oliveira. Ele acredita que as fundações poderão cobrar taxas de juros menores, pois ''conhecem o participante como funcionário da empresa e também tem o lastro de suas aplicações no fundo de pensão''.
Reinaldo Razakalski, diretor da BI Asset Management, diz que a medida deve ser considerada como mais uma ação governamental para tentar reativar o consumo. Segundo ele, os empréstimos dos fundos de pensão com desconto em folha de pagamentos têm baixa inadimplência e permitem estimular o consumo com custos financeiros mais baixos para os participantes.
A Previ, Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, o maior fundo de pensão da América Latina, fará uma pesquisa junto aos seus associados para verificar as necessidades de recursos para a aquisição de imóveis e crédito pessoal, de forma a poder traçar as estratégias de taxas de juros e prazos de financiamento.
De acordo com o presidente da Previ, Sérgio Rosa, os financiamentos devem ter retorno que cubram os valores mínimos do cálculo atuarial e sejam suficientes para cumprir os compromissos previdenciários, como o pagamento de aposentadorias. Segundo ele, cada fundo de pensão traçará sua estratégia específica.

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