Crédito perde fôlego e comércio fica parado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Pedro Soares<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - Num movimento oposto ao da produção da indústria e de outros indicadores de nível de atividade da economia, as vendas do comércio varejista cresceram 5,63% no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2004, superando o ritmo de expansão do segundo trimestre -3,79%.
Em setembro, porém, o comércio ficou parado, com vendas estáveis (0,01%) na comparação livre de influências sazonais com agosto, quando o indicador caíra 0,17%. Sobre setembro de 2004, as vendas subiram 5,62%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o IBGE, o comportamento melhor pode ser explicado pelo fato de que o aumento da renda beneficia proporcionalmente mais o comércio do que a indústria. É que o principal ramo varejista, o de supermercados e lojas de alimentos (com peso de 35%), sofre diretamente o impacto da expansão da renda.
No terceiro trimestre, essa categoria teve alta de 3,96% ante crescimento de 1,11% no segundo trimestre. Já em setembro, as vendas do setor ficaram estáveis na comparação com agosto e registraram crescimento de 3,86% em relação a setembro de 2004.
Diferentemente do comércio, vários indicadores revelaram desaceleração no terceiro trimestre. A produção da indústria, por exemplo, cresceu 1,5% ante o terceiro trimestre de 2004, num ritmo menor que o do segundo trimestre (6,1%).
Para Reinaldo Pereira, economista do IBGE, o descolamento reforça a hipótese de que houve um ajuste de estoque na indústria. Ou seja: o comércio desovou no terceiro trimestre uma produção que estava represada nas fábricas.
No varejo, porém, também existem sinais de desaceleração em alguns setores. É o caso de móveis e eletrodomésticos, que vinham até meados do ano puxando as vendas do comércio. As vendas do segmento já perderam fôlego. Passaram de uma alta de 21,08% no segundo trimestre deste ano para uma expansão de 15,29% no terceiro trimestre. Em setembro, na ponta da série, já registraram queda de 2,57% na comparação com agosto. Para Nilo Lopes, o ramo sofreu com a ''perda de fôlego'' do crédito, que ''esbarra na capacidade de endividamento das famílias''.


