Neste início de safra a maior dúvida dos produtores é quanto à disponibilidade de crédito para financiar o plantio. Segundo o assessor do Ministério da Agricultura, Célio Porto, os recursos previstos pelo Plano Safra 98/99 estão assegurados. ‘‘Todas as regras serão mantidas. Os cortes do orçamento promovido pelo governo não atingiram a agricultura’’, afirmou.
Porto esteve em Londrina na noite de quarta-feira, quando ministrou a palestra ‘‘Política Agrícola para Safra 98/99’’, no auditório do Sindicato Rural de Londrina. O assessor do Ministério da Agricultura reconheceu que está havendo um certo atraso na liberação dos recursos, mas justificou dizendo que o problema é provocado por uma corrida dos produtores aos bancos. ‘‘A crise financeira e a alta dos juros faz com que muitos agricultores procurem os bancos de uma vez, aumentando a demanda’’, comentou.
Segundo Porto, os R$ 11 bilhões (R$ 10 bi para custeio e R$ 1 bi para investimentos) são ‘‘dinheiro novo’’, ou seja, o montante não está comprometido com dívidas anteriores. Deste total, conforme Porto, R$ 2,3 bilhões serão destinados para as linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). As taxas de juros também estão asseguradas, garantiu Porto. Para as linhas de custeio e investimento, a taxa é de 8,75% ao ano, e para o Pronaf 5,75%.
Porto observou que dos R$ 10 bi, R$ 9 bi serão emprestados com juros oficiais subsidiados, e R$ 1 bi com juros de mercado. ‘‘Este montante pode ser influenciado pela crise do mercado financeiro’’, comentou. O assessor alertou ainda que os produtores devem ficar alertas ao requisitarem recursos com taxas indexadas à TR (Taxa Referencial), que estão sujeitos a acompanhar a alta dos juros. ‘‘Neste caso, o produtor passa a ter um risco que precisa ser bem calculado’’, disse.
A liberação dos recursos previstos no Plano de Safra, segundo Porto, não está vinculado ao pagamento da securitização das dívidas. Mas, segundo ele, alguns casos podem sofrer restrições. Ele observou que alguns produtores pagaram a parcela da securitização no ano passado com produto, e que isso pode fazer com que alguns bancos exijam certificado de entrega do produto.
Quanto à garantia dos preços mínimos para a próxima safra, Porto afirmou que o governo manterá os dois mecanismos que já estão em vigor. ‘‘A princípio o preço mínimo será garantido pelos leilões de PEP, e em último caso, através da aquisição pelo governo federal’’, comentou.César AugustoPorto, sobre nova
safra: ‘‘Governo só
vai comprar
em último caso’’Guto Rocha

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