Os recursos para estocagem do leite, cuja liberação está prevista para outubro, poderão estar à disposição das cooperativas em setembro. A medida está sendo estudada na Secretaria Nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a pedido de cooperativas e indústrias de laticínios da região Centro-Sul, incluindo o Paraná, onde o período de safra começa mais cedo. Este ano será repetido o mesmo volume de recursos liberados para estocagem de leite ‘‘in natura’’ no ano passado (R$ 120 milhões), segundo informou o secretário nacional de política agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, quando esteve em Curitiba no início da semana.
As cooperativas e indústrias poderão ter acesso aos recursos, por meio de descontos de duplicatas rurais e nota promissória rural, com as mesmas taxas do crédito rural, de 8,75% ao ano. Esses recursos deverão ser repassados ao produtor, através da estocagem do produto na cooperativa. O técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), João Paulo Moraes Filho, disse que esse mecanismo foi utilizado na safra passada e encerrado em abril, sem problemas de inadimplência. Por isso ele acredita que as liberações esse ano vão ocorrer normalmente, sem muita burocracia.
Segundo Rosa do Espírito Santo, apesar desse mecanismo ter sido adotado tardiamente no ano passado, ele revelou sua eficácia para evitar uma queda significativa nos preços do produto. Além dos recursos para estocagem, Benedito Rosa anunciou a inclusão do leite no programa de Comunidade Solidária, também a partir de outubro, para ajudar a enxugar o excesso de produção.
Benedito Rosa revelou ainda que está em estudos a adoção de uma linha de crédito para estimular o aumento da produtividade de leite no País. Ele reconheceu que o setor leiteiro foi submetido a uma competição ‘‘muito dura e rápida demais’’, que eliminou muito produtor da atividade, sem que tivesse a oportunidade de adotar tecnologia. Segundo o representante do Ministério da Agricultura, atualmente os produtores que entregam até 50 litros de leite por dia já estão deixando a atividade por falta de escala de produção que proporcione rentabilidade. E se nada for feito, quem entrega até 100 litros de leite por dia estará fora da atividade nos próximos dois anos, previu.
A solução para evitar essa crise é o aumento de produtividade, disse. Ele comparou os níveis de produtividade leiteira do Brasil e dos Estados Unidos, argumentando que aqui cerca de 20 bilhões de vacas ordenhadas produzem 19 bilhões de litros no ano, enquanto nos EUA a metade desse rebanho produz 60 bilhões de litros.

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