Crédito para custeio fecha em R$ 42,9 bi
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quarta-feira, 09 de dezembro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A contratação de crédito rural na modalidade custeio cresceu 23% de julho a novembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2014, ao bater em R$ 42,9 bilhões, segundo o Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor) do Banco Central, anunciado ontem. O dado, no entanto, não contabiliza a inflação na produção e valores que foram ofertados no pré-custeio no ano passado e neste ano, de acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Se considerados, haveria estabilidade.
O financiamento de custeio é usado para compra de insumos, plantio, tratos culturais e colheita. Por outro lado, a modalidade comercialização teve recuo de 2%, com R$ 10,4 bilhões, no mesmo comparativo. Os desembolsos de investimentos, como para compra de máquinas, foram de R$ 9 bilhões, ou 24% do total programado, de R$ 38,2 bilhões.
Quando consideradas todas as contratações de crédito rural feitas pelos produtores de julho a novembro para a safra agrícola 2015/16, o valor caiu 2,47%, de R$ 75,328 bilhões para R$ 73,462 bilhões em todo o País. A redução foi maior no número de negócios, que passaram de 1,372 milhão de contratos no período de 2014 para 1,135 milhão de negócios, ou 17,27% a menos, de acordo com o Sicor.
O economista Pedro Loyola, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da Faep, afirma que a inflação no custeio foi de cerca de 15% a mais do que em 2014. Ainda, lembra que o governo disponibilizou R$ 7 bilhões em pré-custeio no ano passado, o que não fez em 2015 por falta de recursos. "Esse valor ficou represado para o período a partir de julho e, se for considerado, o crédito liberado para custeio ficou em normalidade em relação ao ano passado."
Loyola complementa que os empréstimos para investimentos tiveram queda de cerca de 30% neste ano, devido ao aumento da taxa de juros. Porém, diz que a diferença se deve ao fato de o agricultor colocar o pé no freio, devido à situação econômica do País. "Não houve grandes problemas na liberação de recursos e se caiu 30% em investimentos é pela situação do País. Não é demérito algum", completa.
Zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, Alex Lopes considera que as dificuldades para obtenção de crédito rural aparecem, principalmente, para os pequenos produtores, que possuem menores condições de dar garantias aos bancos. Porém, fatores como a elevação da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25%, atrapalham. "Temos incertezas, com grandes grupos estrangeiros saindo da atividade ou segurando investimentos", diz.
A única boa notícia é a desvalorização do real em relação ao dólar, que favorece as exportações mesmo com a baixa nas cotações de commodities como milho e soja. "É preciso pensar também que o exterior não é o destino do total de nossas exportações, já que mais da metade é direcionada ao mercado interno", explica o consultor.
A região Sul fechou 473,7 mil contratos no período, em um total de recursos de R$ 28,346 bilhões, conforme o Sicor. Na sequência aparecem o Sudeste, com R$ 20,456 bilhões e 188,1 mil negócios, o Centro-Oeste, com R$ 16,267 bilhões e 72,2 mil contratos, o Nordeste, com R$ 5,379 bilhões e 365,6 mil operações, e o Norte, com R$ 3,015 bilhões em 35,7 mil negócios.


