SÃO PAULO - O secretário de Produtos de Base do Ministério da Indústria e Comércio (MICT), Maurício Assis, afirmou ontem, após participar de reunião do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPD), que a decisão sobre a liberação de novos recursos para financiar a colheita de café será tomada na próxima reunião oficial do órgão, em maio, em Belo Horizonte. A safra do café conillon já começou no Espírito Santo e a colheita do arábica será iniciada neste mês nos demais Estados produtores.
A única proposta oficial apresentada até agora é dos representantes da lavoura, que sugerem a liberação de R$ 400 milhões para financiar a colheita. Maurício Assis se recusou-se a comentar se este será o número efetivamente aprovado. ‘‘Estamos esperando uma análise da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o assunto’’, disse ele.
A FGV irá entregar ao CDPC no próximo dia 28 um parecer sobre o financiamento da colheita e também sobre a proposta de saneamento financeiro da lavoura, que inclui a concentração das dívidas no Fundo de Desenvolvimento da Lavoura Cafeeira (Funcafé) e alongamento dos prazos de pagamento.
A decisão sobre o fornecimento de parte dos estoques oficiais à indústria de solúvel ainda depende de uma análise do comportamento do mercado, a partir da entrada da safra de conillon, afirmou Maurício Assis. Ele disse que o governo brasileiro prepara uma proposta que será levada à reunião geral da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), que será realizada em meados de maio em Londres. No encontro, a APPC irá definir a política de ordenamento da oferta para o ano safra 97/98, que se estende de julho deste ano a junho do próximo ano.
Com relação aos leilões de estoques oficiais, Assis afirmou que devem permanecer as vendas mensais, ‘‘com ofertas adequadas à demanda do momento. No período de safra, de julho a dezembro, a oferta deve ser restrita’’. Atualmente o governo tem estocadas 13 milhões de sacas de café, distribuídas em 48 armazéns. O MICT está realizando estudos para racionalizar a rede armazenadora. ‘‘Há muito produto estocado no Paraná, que já foi o maior produtor e hoje ocupa apenas a quarta posição’’, afirma Assis.
Na próxima reunião do CDPC serão avaliadas as pesquisas científicas que terão apoio do conselho e pode ser acertada a metodologia para a realização de previsões de safra a partir do próximo ano.

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