Crédito informal movimenta R$ 92,4 bilhões
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sábado, 24 de julho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Há um crédito informal, feito pelo comércio por meio de carnês e cheques pré-datados, que gira uma cifra equivalente à das operações de financiamento ao consumidor registradas no Banco Central (BC). O volume de dinheiro que circula nessa espécie de sistema financeiro paralelo chega perto de R$ 92,4 bilhões neste ano, segundo cálculos do economista da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), Nelson Barrizzelli. Em maio, o estoque de financiamentos concedidos a pessoas físicas somou R$ 98,3 bilhões, de acordo com as estatísticas do BC.
Essa montanha de dinheiro extra, bancada com recursos dos próprios empresários do varejo que abre brecha para promoções de crediário de longo prazo e sem juros, explica, em parte, a recuperação do consumo, especialmente das camadas de menor renda. As classes C e D, de baixo poder aquisitivo, têm conseguido voltar às compras nos últimos meses, apesar dos juros ainda elevados cobrados pelo sistema financeiro e da recuperação gradual do nível de renda e de emprego.
Para chegar a esse montante, Barrizzelli considera a expectativa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) de faturar este ano R$ 305 bilhões com a venda de bens duráveis (eletrodomésticos, eletrônicos, etc) e semiduráveis (roupas e calçados), descontadas as vendas de veículos, cuja totalidade é comercializada por meio de financiamentos de bancos e financeiras. Os cálculos também levam em conta a estimativa de que cerca de 70% do faturamento desses segmentos vêm das vendas a prazo e abate do total o crédito do sistema financeiro que consta nas estatísticas do BC.
''O crédito paralelo tem dado um gás extra para o consumo, já que o sistema financeiro não tem cumprido o seu papel de financiar as vendas a um custo mais baixo'', afirma Barrizzelli. Com muito ou pouco crédito bancário, se depender da expectativa do consumidor, a recuperação do varejo deve continuar neste trimestre. Pesquisa da Pythia Research com 750 pessoas de todas as camadas de renda em 27 Estados brasileiros, entre os dias 1º e 18 de junho, revela que, para 9 de 12 categorias de produtos e serviços pesquisados, a intenção de ir às compras entre julho e setembro é maior do que no trimestre anterior.
O brasileiro, mostra a pesquisa, pretende comprar mais eletrodomésticos, telefones celulares, móveis, televisores, computadores e automóveis do que no trimestre passado. Também quer, até setembro, viajar mais e reformar a casa do que no período que foi de abril a junho. ''Os índices de intenções de consumo para os bens duráveis são maiores do que no trimestre anterior, mas ainda estão abaixo do mesmo período do 2003'', afirma a coordenadora de Pesquisa da Pythia, Angela Nunes.


