O crédito imobiliário no Brasil deve saltar de 3% para 9% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos dois anos. Esta é a expectativa de algumas das instituições financeiros mais importantes do País e representantes da construção civil que estiveram presentes no II Encontro Brasileiro de Corretores de Imóveis (Embraci), realizado em Brasília. Com o governo brasileiro investindo alto - com o intuito de diminuir o deficit habitacional - e a proximidade de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a projeção é que o crédito atinja cerca de R$ 282 bilhões até 2012. O PIB brasileiro em 2009 foi de R$ 3,143 trilhões.
Bernadete Maria Pinheiro Coury, superintendente nacional de habitação da Caixa Econômica Federal, certifica que é possível atingir estes números nos próximos anos. ''Para que isso ocorra, não há dúvidas que os agentes financeiros deverão atuar com maior força no setor. A Caixa representa 73% do mercado imobiliário brasileiro e só no Programa Minha Casa, Minha Vida, já foram adquiridas quase 450 mil unidades''.
Segundo dados da pesquisa realizada pela Fundação João Pinheiro, o deficit habitacional é de 5,8 milhões de moradias no País, sendo que 90% dele atinge a renda de até três salários mínimos. ''Cerca de 70% desse deficit está localizado em áreas urbanas acima de 50 mil habitantes. Dos R$ 28 bilhões liberados para o Minha Casa, Minha Vida, R$ 16 bilhões foram destinados para as menores rendas, de zero a três salários'', explica Marta Garske, diretora do departamento de produção habitacional do Ministério das Cidades. A meta do governo, segundo a diretora, é atingir um milhão de moradias com renda até 10 salários mínimos até o final do mandato.
Para 2011, as instituições financeiras estão empolgadas com a continuação do programa - que almeja ultrapassar os R$ 70 bilhões em subsídios e dois milhões de moradias. ''O Banco do Brasil deve começar a atuar com pessoas físicas no Minha Casa, Minha Vida na próxima semana. Não posso falar em valores ainda, mas enquanto houver recursos para o Programa, haverá recursos para nossa instituição'', comenta João Martins Felcar, gerente de projetos de crédito imobiliário do BB.
Em contrapartida a toda esta movimentação em relação ao crescimento substancial do crédito imobiliário, algumas cidades podem sofrer com sérios problemas ligados à falta de terras e infraestrutura. Com as construtoras investindo no setor, o valor dos terrenos aumentou consideravelmente nas grandes cidades, sendo que a infraestrutura de alguns municípios acaba não acompanhando o ''boom'' das construções. ''O Ministério não abre mão de que nas construções haja infaestrutura básica como água, luz e esgoto. Estamos nos atentando ao máximo para isso'' completa Marta, do Ministério das Cidades.

mockup