Crédito habitacional lidera demanda
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
O crédito imobiliário se tornou, no mês de agosto, a principal modalidade liberada às pessoas físicas no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, com
R$ 314,9 bilhões, segundo estudo da Serasa Experian. Em dezembro do ano passado, o crédito habitacional, que ocupava a segunda posição, com R$ 255,4 bilhões, representava 23,7% do crédito absorvido pelas pessoas físicas no País, uma diferença de 2,2 pontos percentuais em relação ao crédito pessoal. Em agosto deste ano, o crédito imobiliário atingiu R$ 314,9 bilhões, com 26,5% de participação, destaca a Serasa.
Em contrapartida, a carteira de financiamento de veículos (incluindo-se as operações de leasing) vem perdendo, desde 2011, adesões e, atualmente, ocupa a terceira colocação
a(R$ 204,3 bilhões, 17,2% do total). "E isso só intensifica com a taxa de juros no pico do aperto monetário", destaca Luiz Rabi, economista da Serasa, que trabalha com uma Selic estável em 9,75% ao longo de todo o ano de 2014. "Pelo fato que os juros já vão inaugurar o ano com valor máximo, isso vai segurar as carteiras ligadas ao consumo, ao passo que o crédito imobiliário vai embora, porque não é balizado por isso", comenta.
Para Marcos Kahtalian, professor da FAE Centro Universitário e diretor de uma consultoria de mercado imobiliário, em Curitiba, o crédito de habitação vem crescendo desde 2007, e por isso já era esperado que fosse se sobressair. "Houve um crescimento do crédito imobiliário em função da demanda reprimida, de programas de habitação que permitiu a aquisição por famílias de baixa renda." Na sua visão, este cenário se mostra favorável à economia, "porque (o crédito imobiliário) é crédito de longo prazo, com juros menores, e significa investimento."
De acordo com José Carlos Rodrigues, gerente regional da Caixa Econômica Federal na Regional Norte do Paraná, em 2012 foi contratado R$ 1,06 bilhão em crédito imobiliário na região contra R$ 700 milhões este ano até agora. A projeção até o final de 2013 é de R$ 1,4 bilhão. Cerca de 15 mil unidades foram financiadas no ano passado, e a projeção para este ano é de 15,8 mil. Até agora, foram financiadas 7,3 mil novas moradias.
"Apesar da manutenção da taxa Selic, a Caixa consegue manter as taxas de juros por causa da gestão da carteira, que está saudável, com pouca inadimplência", enfatiza Rodrigues. Segundo ele, as taxas de juros que variam de 4% a 9,5% dependendo da contratação se mantêm as mesmas desde o início do ano. Ele explica que, ao contrário do crédito comercial, os recursos e as taxas de juros do crédito imobiliário partem do governo. Por este motivo, as taxas sofrem pouca variação em comparação com as das demais modalidades. "(O crédito habitacional) é uma modalidade muito forte", declarou o gerente regional.
Conforme os dados divulgados ontem pelo BC, o crédito para habitação avançou 2,7% em agosto na comparação com o mês anterior. Isso é resultado de um aumento de 2,6% nas taxas reguladas e de 4% nas taxas de mercado. Assim, o crédito para financiamento imobiliário acumula alta de 35,1% em 12 meses. Nesse período, as taxas reguladas cresceram 33,7% e as taxas de mercado, 47,8%.(Com Agência Estado)


