Crédito fica mais caro com a manutenção do juro básico
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Agência Folha 
Arquivo FolhaRomanoski, diretor da Electrolux, não aposta em alta dos jurosSÃO PAULO - A decisão do governo de manter o juro básico da economia em 1,58% até o final de maio teve impacto direto sobre as expectativas do mercado financeiro. Ontem, as principais consequências foram o aumento do custo dos empréstimos e a queda de 1,5% dos preços das principais ações nas Bolsas.
Os empréstimos para grandes empresas, por exemplo, nos quais a margem de lucro dos bancos é praticamente nenhuma, passaram a custar cerca de 21,5% ao ano. No dia anterior, essa taxa era de 21%. Alguns bancos chegaram a pedir 22% de remuneração, mas sem encontrar clientes na outra ponta. Marcelo Saddi Castro, diretor de renda fixa do Lloyds Asset Managment, lembra, porém, que se houvesse nova queda de 0,02 a 0,04 ponto na taxa básica o efeito na ponta do crédito seria mínimo.
Nos empréstimos entre os bancos, do chamado mercado interbancário, o custo para operações de um dia também subiu. No momento de maior nervosismo, essa taxa chegou a ser equivalente a custo mensal de 1,71%. No dia anterior estava em 1,69%. Assim o governo conseguiu elevar os juros das aplicações no mercado interno, mesmo mantendo os juros básicos para maio. Ontem um investidor conseguia uma aplicação cerca de 9% mais rentável que a variação do câmbio. Na quarta, essa taxa era de 8%. A intenção do governo, com esse movimento, é frear a saída de dólares do país.
Agora o mercado financeiro procura antecipar os próximos passos do governo na tentativa de pôr em ordem as contas externas do país. Para uns, o governo terá de elevar as taxas básicas de juros para o mês de junho para conseguir garantir o fluxo de dólares para o mercado interno. Nesse caso, outra opção seria reduzir o ritmo das desvalorizações do real em relação ao dólar.
Outros acreditam que o governo precisará tomar medidas de restrição ao crédito, reduzindo o consumo, desestimulando as importações e estimulando as exportações.
O diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Boris Tabacof, considera que, mesmo que o governo decida restringir o crédito para automóveis e eletroeletrônicos, o efeito sobre a balança comercial será pequeno. Antonio Carlos Romanoski, diretor-presidente da Electrolux do Brasil, não acredita que os juros possam vir a subir. Para ele, os juros devem ficar estáveis ou mesmo virem a cair.


