Crédito escasso limita comércio de máquinas
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Fabíola Gomes e Gustavo Porto<br> Agência Estado 
São Paulo - A valorização do dólar não se reverte imediatamente em fator de competitividade para a indústria de máquinas agrícolas no Brasil. O câmbio pode ser favorável no longo prazo, mas o exportador ainda contabiliza a quebra da safra na Argentina e as restrições de crédito, fatores que têm forte peso na decisão sobre investimentos em maquinário. A avaliação é do vice-presidente para máquinas agrícolas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Milton Rego.
''Este movimento não se converte imediatamente em moeda de troca. É preciso ter previsibilidade para se fazer planejamentos com base no câmbio'', afirma Rego. Além disso, diz ele, os importadores também sofrem com a restrição de crédito decorrente da crise financeira global e os prejuízos causados pela seca reduzem a capacidade de compra dos produtores.
''A quebra de safra, em função de clima, na Argentina é um problema. O produtor acaba postergando os investimentos'', afirma Rego. O país é o maior comprador individual das máquinas produzidas no Brasil. A estiagem deve provocar perdas estimadas entre 22,2 milhões e 28,8 milhões de toneladas, um prejuízo que pode chegar a US$ 5 bilhões, segundo cálculos da Bolsa de Cereales de Buenos Aires.
O vice-presidente da Anfavea observa que a situação é preocupante, porque a indústria havia se preparado para manter firme ritmo de crescimento. Sem concretizar as projeções, o setor hoje trabalha com alto nível de estoques tanto na indústria como nas concessionárias. ''A pressão é muito grande, porque o volume de capital de giro das companhias está reduzido'', afirma.
Os dados da Anfavea mostram que as vendas externas de máquinas agrícolas (tratores, tratores de esteiras, colheitadeiras, retroescavadeiras e cultivadores) cresceram 11% em 2008. Foram embarcadas no ano 30,2 mil unidades, contra 27,2 mil registrados no ano anterior. Porém, o levantamento de janeiro revela que a exportação despencou neste início de ano, quando foram embarcados 916 veículos, queda de 52,9% na comparação com igual período de 2007.
Abimaq
Do lado da indústria de implementos agrícolas, a alta no dólar e a baixa de alguns insumos trouxeram otimismo ao setor, que espera uma recuperação nas exportações a partir do segundo trimestre de 2009 e a compensação das perdas com o enfraquecimento no mercado interno. ''O faturamento médio do setor caiu 50% em janeiro, mas as exportações já mostram um cenário animador e esperamos ter uma avaliação positiva após os primeiros três meses do ano, com a maturação dos pedidos'', disse Francisco Maturro, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).


