São Paulo - Um terço dos comerciantes e prestadores de serviços não evolui por causa da dificuldade de obter crédito, revela uma sondagem feita em janeiro pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). Dos 223 empresários entrevistados, 32% alegam dificuldade para obter financiamento, 48% não têm problemas e 19% não operam com crédito. Entre os que têm dificuldade, 47% apontaram as taxas de juros como o principal obstáculo. Outra restrição importante, citada por 21%, são as garantias e contrapartidas exigidas pelos bancos.
''Essas empresas estão condenadas ao nanismo crônico, pois não têm condições financeiras de crescer'', diz Abram Szajman, presidente da Fecomércio-SP. ''A consequência é o aumento da concentração nas grandes redes de varejo''.
A sondagem está concentrada nas pequenas e microempresas. Entre os estabelecimentos consultados, 53% empregam menos de 5 funcionários, 39% têm entre 5 e 20 e apenas 7% têm mais de 20.
A combinação de juros altos com garantias excessivas complica a vida dessas empresas. Pela sondagem, 48% das que tentaram tomar empréstimos tinham como objetivo obter capital de giro. Ou seja, precisavam de recursos no curtíssimo prazo, o que é impossibilitado se as exigências de garantia forem excessivas, observam técnicos da Fecomércio. Outros 39% dos empresários que pediram financiamento pretendiam fazer investimentos. Significa que precisavam de dinheiro com prazo mais longo, o que se torna inviável se as taxas de juros forem altas, dizem os técnicos.
O empresário Sebastião Galinari, sócio do restaurante Café Bistrô Paraná, na região central de São Paulo, sentiu esse problema no bolso. No mês passado, procurou crédito nos bancos para um projeto de informatização do restaurante, de R$ 20 mil. ''Chegaram a me pedir juros de 10% ao mês em um empréstimo de um ano'', diz o empresário, que engavetou os planos de investimento.
Quase metade dos entrevistados pela Fecomércio (49%) afirmou ter deixado de fazer investimentos por não ter encontrado crédito.

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