Crédito é saída para o médio varejo sobreviver
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sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Lorena Vieira<br>Agência Estado 
São Paulo - O aumento de oferta de crédito será fundamental para a sobrevivência do médio varejo, que tem sido fortemente pressionado pela concorrência das grandes redes. Há dois anos, a oferta de crédito para o setor de comércio começou a ganhar corpo, porém, em 2008, avanços ainda maiores são esperados, com novos instrumentos à disposição e maior esclarecimento dos tomadores. Desta vez, as chances chegam aos médios varejistas, que devem aproveitar o benefício para ampliar suas operações.
Entre as opções, a que deve ter maior impacto para as empresas de médio porte do setor é a oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ainda este ano, o banco de fomento deve passar a aceitar recebíveis como garantias de financiamentos feitos ao comércio. A medida terá efeito bastante positivo para o aumento da demanda de recursos no curto prazo, segundo avaliam especialistas.
O consultor estratégico do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), Emerson Kapaz, lembra que o foco do BNDES sempre foi a indústria, mas esse novo instrumento sinaliza um ganho de importância do varejo. A vantagem é que os empréstimos do BNDES são remunerados pela Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) - de 6,25% ao ano entre outubro e dezembro de 2007. Percentual bem mais adequado à realidade do médio e pequeno varejistas, que tem margens bastante apertadas em razão da concorrência com os grandes e não pode pagar juros de 15% a 20% ao ano.
Com o aumento da renda, os recebíveis também passam a ser mais confiáveis, já que o consumidor tem mais condições de cumprir com os pagamentos. Além disso, uma boa parte deles vem de pagamentos com cartões de crédito, cujo risco é quase totalmente bancado pela instituição financeira. O cheque, outro tipo de recebível, também é considerado relativamente seguro, com risco diluído devido aos baixos valores unitários.
Dados do BNDES dão a dimensão do movimento que já vem ocorrendo no setor. Os desembolsos do banco de fomento voltados para a área de comércio e serviços, incluindo o varejo, aumentaram 73,6% entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 2,83 bilhões. A alta no número de operações é ainda maior, de 167,2%, e revela uma distribuição mais ampla desses recursos. Somaram 9,3 mil nos oito primeiros meses de 2006 e 25 mil em iguais meses deste ano.
Mais capitalizado e com consumo aquecido, o varejo tem apresentado bons resultados. ''O nosso crescimento tem sido muito maior que o da indústria. Estamos num momento que permite maior alavancagem para expansão dos negócios'', diz, Kapaz. Entre janeiro e julho, o volume de vendas do comércio varejista registrou aumento de 9,7%, na comparação com o mesmo período anterior, e de 10,7%, em receita nominal, também nos primeiros sete meses deste ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


