São Paulo - Os empresários estão mais confiantes na recuperação da economia nos próximos meses. Embora o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fecomercio-SP, tenha apresentado queda de 3,7% em abril sobre março, registrando 133 pontos em uma escala que vai de 0 a 200, a indústria paulista aposta que o consumo de bens duráveis e não-duráveis terá um impulso. E não apenas por conta do Dia das Mães, em maio, segunda melhor data de vendas do ano (após Natal). Na avaliação do economista-chefe do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Carlos Cavalcanti, os setores mais beneficiados devem ser alimentos, calçados, eletrônicos, comunicação e veículos - a maioria também de uso intensivo de mão-de-obra.
  Por trás do otimismo, estão o aumento da renda do trabalhador, resultante dos reajustes salariais acima da inflação, a entrada em vigor do salário mínimo de R$ 350 e, sobretudo, das condições do crédito. ‘‘Nos últimos dias, temos visto as grandes redes de varejo alongar as prestações para até 36 meses ou mais’’, disse o economista.
  Números do Banco Central (BC) até fevereiro mostram que o crédito à pessoa física cresceu 68,5% em 12 meses. O crédito consignado representava 38% do crédito pessoal em fevereiro de 2005, passando para 46,2% no mesmo mês deste ano. ‘‘A oferta deve continuar em alta, mas precisamos ver como se comportará a inadimplência’’, alertou Cavalcanti, ressaltando que isso pode ter efeitos negativos sobre a economia.
  Há um outro dado que os empresários têm levado em conta na formação das expectativas mais otimistas: o relaxamento fiscal do governo federal, que significa mais investimentos. No primeiro bimestre de 2005, o superávit primário estava em 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período deste ano, caiu para 2,43% do PIB, enquanto a meta para o ano é de 4,25%. Há, entretanto, uma ressalva: em algum momento, prevêem os empresários, o governo fará um novo arrocho para cumprir a meta.

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