Crédito e aço limitam o setor de autopeças
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de agosto de 2004
Paula Puliti<br>Agência Estado 
São Paulo - A indústria de autopeças está sob pressão das montadoras para investir em aumento de produção e evitar a queda no ritmo de exportações de veículos, estimada em 20%. O presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Autopeças, Paulo Butori, disse que os segmentos ligados à metalurgia, como forjaria e fundição, operam praticamente no teto da capacidade instalada. Além da produção, 42% das empresas do setor indicaram em pesquisa que o maior entrave ao aumento da atividade é o preço do aço, que vem registrando aumentos consecutivos desde o ano passado.
Butori afirmou que as empresas de médio e pequeno portes, aquelas que fornecem partes e peças para as grandes fabricantes de sistemas para as montadoras, enfrentam as dificuldades mais sérias para investir, pois não têm acesso a crédito que permita o investimento solicitado pelas montadoras.
Segundo ele, as grandes fabricantes de autopeças têm compromissos internacionais com as montadoras, o que significa crédito mais fácil. Porém, as empresas do segundo e do terceiro nível da cadeia só têm o BNDES para recorrer em busca de financiamento. Mas mesmo no banco estatal, o acesso ao recurso é difícil por conta das garantias exigidas. ''Não sabemos onde ir buscar os recursos para aumentar a produção'', disse Butori.
O plano de investimentos do setor para este ano é de US$ 600 milhões, focado mais em modernização do que em aumento da capacidade produtiva.
Na tentativa de responder aos pedidos das montadoras, o Sindipeças encomendou à consultoria Booz Allen uma nova pesquisa com a finalidade de diagnosticar os gargalos do setor. O estudo deve ficar pronto até o fim de agosto. A partir dele, a entidade vai traçar uma nova estratégia de crescimento que deve ser posta em prática em até dois meses.


