Agência Estado
De São Paulo
O resultado do leilão de venda da Companhia de Energia Elétrica do Tietê, a segunda geradora paulista a ser privatizada, não poderia ter sido mais inesperado. A AES arrematou a Cesp Tietê por R$ 938 milhões, pagando ágio de 29% sobre o preço mínimo. Nada mais surpreendente sendo ela uma das sócias privadas da Cemig e atualmente um dos pivôs de uma disputa judicial para retomar o assento na direção da estatal mineira.
O receio causado entre alguns investidores estrangeiros – a Duke Energy, por exemplo – de que o episódio da Cemig se repetisse em São Paulo não mudou os planos da empresa, que em apenas 18 anos de existência tornou-se a maior geradora de energia elétrica dos Estados Unidos. ‘‘Minas é um caso isolado, jamais nos preocupamos que isso pudesse ocorrer em São Paulo’’, assegurou o presidente da AES no Brasil, Luiz Travesso. ‘‘O que garantiu a nossa participação foi o financiamento do BNDES.’’
Segundo informou, a AES buscou recursos no mercado nacional e internacional, mas só a linha do BNDES convenceu a empresa a disputar o leilão. Travesso disse que vai utilizar os R$ 360 milhões do BNDES e o resto virá de capital próprio. A liquidação financeira ocorre em dez dias.
O governador Mário Covas reconheceu que o leilão esteve ameaçado pela possibilidade de haver desistências, mas foi aconselhado a mantê-lo por seus assessores antes mesmo de o BNDES estender o empréstimo. O banco decidiu na terça-feira, véspera do leilão, financiar também o capital estrangeiro. Segundo fontes do mercado, alguns grupos internacionais estavam reivindicando o mesmo benefício que teriam os grupos nacionais.
A decisão permitiu até que a AES desbancasse a Gerasul, controlada pela companhia belga Tractebel, cujo lance embutia um ágio de apenas 5,47% sobre o preço mínimo, mas provocou descontentamento numa das favoritas do leilão, a VBC Energia. A holding VBC Energia é formada pelos Grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa e era o único consórcio nacional habilitado a disputar o leilão, mas não chegou a entregar o envelope com a proposta de compra.
‘‘O BNDES mudou as regras do jogo na última hora’’, justificou o superintendente do Grupo Votorantim, Antonio Ermírio de Moraes. ‘‘Com o financiamento do BNDES limitado aos grupos nacionais nós teríamos condições de enfrentar grupos internacionais fortes, mas do jeito que ficou não dava para participar’’, disse. ‘‘Do jeito que está não vai sobrar uma empresa nacional para contar a história.’’

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