Brasília - O Brasil será o primeiro país na América Latina a comercializar os créditos de carbonos, resultado de projetos de redução de emissões do gás previsto no Protocolo de Kyoto, que definiu metas para os países industrializados diminuírem as emissões de gases que podem provocar o aquecimento global, conhecido como efeito estufa.
Hoje será lançado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro o banco de projetos do mercado brasileiro de carbono, o primeiro passo para a criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. O secretário do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Antonio Sérgio Mello, acredita que até o fim do ano já estará em funcionamento o primeiro pregão de créditos de carbono.
O Protocolo de Kyoto permite aos países não incluídos no compromisso de redução de emissão de gases a transferência de seus projetos para que outros países possam cumprir a sua cota. O Brasil, disse o secretário, tem um espaço importante nesse cenário por possuir programas de energia limpa, como o do álcool. ''O Brasil hoje é um player importante de projetos'', afirmou.
Com o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões, as empresas poderão capitalizar seus projetos, vendendo o crédito associado às suas reduções para países - governos, empresas ou fundos internacionais - que precisem atender às cotas fixadas no Protocolo. Com essa negociação, além de reduzir as emissões globais dos gases que causam o efeito estufa, o Ministério do Desenvolvimento acredita que será aberta uma alternativa rentável para atingir o desenvolvimento sustentável.
O banco de projetos, que será lançado hoje numa parceria entre o Ministério do Desenvolvimento e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), é um sistema eletrônico que registrará os projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. Com isso, os investidores, que devem ser estrangeiros, poderão divulgar suas intenções em adquirir créditos de carbono. Atualmente os créditos já são negociados na Europa e em Chicago, embora os Estados Unidos não sejam signatário do Protocolo de Kyoto.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, relatório do Banco Mundial estima que, desde 1998, tenham sido negociados US$ 1,7 bilhão em projetos de reduções de emissão de gás carbono. O Brasil teria respondido por 12% do volume total de projetos negociados no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, e por 13% do volume total negociado entre janeiro de 2004 e abril de 2005.
Estudo do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República estima que a demanda por créditos de emissões será de US$ 30 bilhões por ano em 2012 e a participação do Brasil nesse mercado será de no mínimo 10%. As principais oportunidades de projetos brasileiros de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, segundo o documento, estão nos setores de geração de energia elétrica a partir de fontes de energia renováveis, resíduos sólidos urbanos, eficiência energética, florestas e combustíveis líquidos renováveis.

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