Brasília - O fluxo de concessão de empréstimos bancários apresentou um crescimento nominal de 17,7% em dezembro com relação a novembro do ano passado, passando de R$ 78,3 bilhões para R$ 92,2 bilhões. O aumento, segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, foi provocado, em parte, por um aquecimento sazonal da atividade econômica no final do ano. ''Mas mesmo se tomarmos os dados dessazonalizados, veremos que houve um crescimento das concessões'', disse. Segundo ele, isso pode ser lido como um indicativo da solidez do processo de retomada do crescimento econômico vivido pelo País.
Para as pessoas jurídicas, segundo o BC, as concessões de crédito aumentaram de R$ 51,6 bilhões para R$ 62,1 bilhões de novembro para dezembro, com incremento de 20,4%. ''Temos aí vários fatores contribuindo para este crescimento sem que nenhum deles tenha predominância sobre os demais'', disse o chefe do Depec. Ele admitiu, no entanto, que as empresas podem estar procurando captar recursos nos bancos para aumentar a produção e atender o crescimento da demanda e também para elevar os níveis de estoque. ''Apesar de os dados de estoque no Brasil não serem muito precisos, nós temos percebido uma diminuição dos estoques pelas sondagens feitas por algumas entidades de classe.''
Com o aumento de dezembro, o estoque de operações de crédito do sistema financeiro terminou o ano passado em R$ 137 bilhões, o equivalente a 25,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O porcentual é superior aos 23,8% do PIB registrado em 2002, mas inferior aos 26,5% do PIB de 2001. Lopes não quis fazer projeções para 2004.
O chefe do Depec destacou ainda a queda da taxa de inadimplência dos empréstimos às pessoas físicas. ''A taxa de 13,9% em dezembro é a menor desde os 10,6% de agosto de 2000'', disse. A redução, segundo ele, pode ser interpretada com um movimento para quitar dívidas e, com isso, abrir espaço para uma eventual retomada do crédito no futuro. ''É incrível o número de baixas de registros no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)'', disse.
Lopes observou ainda que, no ano passado, as taxas de juros dos empréstimos às pessoas físicas, considerando a média das diversas operações, tiveram queda maior do que os 10 pontos porcentuais de diminuição dos juros básicos da economia, a taxa Selic. ''Tivemos uma queda de 16,9% dos juros dos empréstimos às pessoas físicas, que fecharam o ano passado em 66,6%, menor nível desde os 66,1% de maio de 2001.'' Ele disse, entretanto, não saber se os juros continuarão caindo em ritmo maior do que o da Selic em 2004. ''Se isso ocorrer, eu acho que será pela via da queda do spread (diferença entre o custo de captação e aplicação dos recursos) e não por causa da queda da Selic'', afirmou, ao lembrar que boa parte das expectativas de redução dos juros básicos já estão embutidas no custo dos empréstimos bancários. Ele ressaltou ainda que a queda dos spreads ainda depende de uma melhoria das garantias oferecidas nestas operações.
No final de 2003, o spread médio cobrado pelos bancos nas operações com pessoas físicas ficou em 50,8 pontos porcentuais. Foi o nível mais baixo desde os 50,6 pontos de setembro de 2002. ''Mas ainda é muito alto em comparação com o pago pelas pessoas jurídicas (14,4 pontos)'', reconheceu.

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