Crédito cresce apesar da inadimplência
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segunda-feira, 28 de abril de 1997
Agência Estado de Brasília 
Apesar de o Conselho Monetário Nacional (CMN) ter optado pela cautela e não adotar medidas de restrição ao consumo, os dados divulgados ontem pela secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda comprovam uma expansão contínua do crédito ao consumidor, acompanhada por um aumento recorde do nível de inadimplência: para cada mil cheques emitidos no primeiro trimestre, seis foram devolvidos.
Nos últimos 12 meses, as instituições financeiras ingressaram fortemente no segmento de crédito ao consumidor, estimuladas pelas ainda elevadas taxas de juros e de spread (taxa de risco do empréstimo) cobradas pelos bancos. O resultado foi um aumento de 67,2% no volume de crédito ao consumidor nos últimos 12 meses, saltando dos R$ 12,9 bilhões para R$ 21,6 bilhões em fevereiro passado.
O secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros admitiu que as instituições financeiras estão operando com programas de grande expansão do crédito ao consumidor. Não quis, no entanto, detalhar as discussões da última reunião do CMN, semana passada. Não há o que comentar. Apenas se avaliou que este não era o momento de medidas restritivas, disse. O secretário admitiu, no entanto, que a continuidade no volume dos empréstimos chamou atenção, até pelo fato de que,
tradicionalmente, no mês de março há uma redução do nível das vendas do comércio varejista.
Os dados demonstram que um comportamento que já é sazonal está mais sazonal ainda, reconheceu Mendonça de Barros, que evitou trabalhar com expectativas da adoção de medidas restritivas. O CMN entendeu que agora não era o momento. O governo continua fazendo um acompanhamento, ponderou. O mais surpreendente na análise, como ele próprio admitiu no Boletim de Conjuntura, é o fato de que os bancos continuam emprestando apesar do aumento do nível de inadimplência.
As instituições financeiras que hoje atuam fortemente no segmento de crédito ao consumidor estão mais preparadas para lidar com este tipo de inadimplência do que em 1995, justificou.


