Curitiba - As concessões de crédito consignado para as famílias cresceram 32,9% em janeiro deste ano na comparação com dezembro de 2012. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central (BC). No mês passado, as concessões para as pessoas físicas ficaram em R$ 11,35 bilhões.
A maior expansão (57%) foi registrada no crédito tomado por beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesse caso, as concessões ficaram em R$ 3,588 bilhões. As concessões aos trabalhadores do setor privado chegaram a R$ 966 milhões, com crescimento de 38,6%. Os servidores públicos tomaram emprestados R$ 6,796 bilhões, com alta de 22,3%.
Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, no início do ano há aumento da procura por esse tipo de crédito devido à concentração de despesas, como o pagamento das compras de Natal, de impostos como IPVA, IPTU e gastos com material e matrícula escolar.
De acordo com ele, o que motiva a procura pelo crédito consignado é que os juros são os mais baixos do mercado. O levantamento realizado pelo BC mostrou que a taxa do consignado iniciou o ano passado em 28,7% ao ano e encerrou o período em 24,5% ao ano, permanecendo neste patamar em janeiro de 2013. Segundo Oliveira, a média da taxa é de 1,7% ao mês.
Ele destacou que os aposentados são os que mais recorrem ao crédito consignado porque, geralmente, têm a renda menor e os gastos com saúde são mais elevados. Além disso, costumam ajudar netos e filhos. ''Muitas das dívidas dos aposentados são para fazer favores à família'', disse.
O diretor institucional do Sindicato dos Aposentados ligado à Força Sindical, Paulo José Zanetti, disse que muitos aposentados fazem o empréstimo para ajudar na compra de material e matrículas escolares dos netos em janeiro. ''O consignado não é bom, é um casamento para a vida inteira'', alertou.
Segundo ele, hoje a legislação permite que o crédito consignado seja renovado até seis vezes. Zanetti disse que o sindicato está brigando contra isso porque, desta forma, os aposentados acabam se endividando mais. Ele destacou que, para os bancos, é um bom negócio porque o recebimento é garantido já que é cobrado direto no salário. Ele ainda considera os juros muito altos mesmo nesta modalidade.
Oliveira disse que, mesmo com juros médios de 24,5% ao ano para o consignado, as pessoas devem pesquisar as taxas oferecidas pelos diversos bancos e sempre procurar realizar a operação com instituições reconhecidas. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Crédito consignado cresce 32,9% em janeiro



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