Brasília O mercado de crédito começa a dar os primeiros sinais de recuperação impulsionado pela expectativa de aumento da atividade econômica nos próximos meses e pelas vendas de fim de ano. Em setembro, as concessões acumuladas de empréstimos cresceram 9,8%, somando R$ 81,1 bilhões ante os R$ 73,9 bilhões verificados em agosto. Segundo o chefe do Departamento Econômico (Depecon) do Banco Central, Altamir Lopes, esse aumento reflete a maior demanda das empresas por crédito para reforçar os estoques no final do ano e, também, uma pequena elevação na procura por empréstimos por parte das pessoas físicas.
Uma característica dessa movimentação, no entanto, segundo Lopes, é o encurtamento dos prazos. Diante da perspectiva de novas quedas nas taxas de juros, as empresas e consumidores estão optando por operações curtas para não se endividarem pagando taxas elevadas por muito tempo.
Apesar da queda verificada na taxa de juros desde junho, o valor cobrado dos clientes pelos bancos, financeiras e lojas ainda é muito alto. O cheque especial, por exemplo, registra uma das maiores reduções entre as diversas modalidades de empréstimo. Entre agosto e setembro, a taxa anualizada recuou 11,7 pontos porcentuais, passando de 163,9% ao ano em agosto para 152,2% ao ano, no mês passado. Com isso, o País retomou o patamar verificado em julho de 2001, período em que o governo empregava todos os esforços num projeto de redução do custo dos empréstimos justamente porque ele era tido como extremamente alto.
Nos financiamentos de veículos, a taxa diminuiu 2,6 pontos porcentuais, atingindo 38,8% ao ano, o menor valor registrado pelo BC desde abril de 2002, quando a taxa era de 37,1% ao ano. ''As taxas de uma maneira geral já estão mais baixas do que no final de 2002 mas ainda são elevadas'', admite Lopes.
Segundo ele, o crédito é ''um ponto de apoio'' importante para retomada do crescimento econômico. ''O outro é a retomada da renda'', afirma, ressaltando que com o controle da inflação já há uma recuperação da renda dos trabalhadores.
Apesar do aumento no total da concessões acumulada no mês, o estoque de empréstimos no País cresceu apenas 1,2% em setembro, atingindo um total de R$ 390,1 bilhões, o que, segundo o BC, indica que as pessoas estão aproveitando para quitar dívidas antigas. No acumulado do ano, o volume total de crédito cresceu apenas 3,1%. As operações com recursos livres feitas com pessoas físicas registraram em setembro um aumento de 1,7%, somando R$ 84,885 bilhões. Neste final de ano, no entanto, a expectativa é de que elas retomem o consumo embaladas por melhores condições de crédito.

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