Crédito começa a ensaiar expansão
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domingo, 01 de agosto de 2004
Priscilla Murphy<br>Agência Estado 
São Paulo - O crédito no sistema financeiro brasileiro ensaia uma expansão sem precedentes, impulsionado pela retomada do crescimento econômico e por incentivos como a menor taxa média de juros para a pessoa física desde 1994. O estoque total de crédito concedido pelos bancos e financeiras a pessoas físicas e empresas chegou em junho a R$ 442,4 bilhões, 16% a mais que um ano atrás. E tudo indica uma expansão mais forte no segundo semestre, com o crescimento econômico incentivando uma oferta maior de crédito mais barato e vice-versa. A única nuvem a ameaçar o horizonte otimista do crédito é a possibilidade de aumento da taxa básica de juros, insinuada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, afirmam especialistas.
Enquanto a chance de aumento da Selic ainda é dúvida, quase semanalmente surgem novos produtos ou ofertas melhoradas na área de crédito para empresas e pessoas físicas, tanto por parte dos bancos públicos quanto dos privados. Entre os exemplos anunciados ou lançados estão uma linha de capital de giro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiamento a juros prefixados para compra de máquinas e equipamentos, cartão de crédito com desconto em folha de pagamento e o financiamento em dez vezes sem juros pelas empresas de cartão. Na semana passada, o Itaú, último dos grandes bancos a ficar de fora do crédito popular, uniu-se ao Pão de Açúcar para montar uma financeira.
Na semana passada, o Santander Banespa anunciou um pacote de produtos de crédito para o Dia dos Pais, com desconto de 10% na taxa de juros para quem renovar suas linhas de crédito. O banco chegou ao fim do primeiro semestre com um total de recursos livres de R$ 19 bilhões, 31,8% maior que no mesmo período do ano passado. Em parte pelo crescimento do crédito consignado, a variação do volume de empréstimos para pessoas físicas ficou acima da média, em 36,4%.
Ao contrário do que ocorreu nos poucos momentos da última década em que o crédito nos bancos privados ensaiou uma retomada, como em 1996 ou 2000, atualmente os bancos públicos estão acompanhando a expansão, dizem especialistas. Mesmo com a Selic parada em 16% ao ano há quatro meses, os bancos públicos e até mesmo alguns privados, como o HSBC, vêm reduzindo sua taxa aos clientes.
Medidas - Além de orientar os bancos públicos a competir com os privados no custo do crédito, o governo vem tomando medidas na área da legislação e da regulamentação do setor financeiro, como a Lei de Falências, o microcrédito e o pacote de estímulo à construção civil.
Embora no conjunto essas ações formem um grande pacote de incentivo ao crédito, que inclui ainda a conta corrente simplificada, correspondentes bancários, estímulo às cooperativas de crédito, microcrédito e a central de risco, algumas medidas tiveram pouca eficácia ou ainda precisam de ajustes.


