Crédito caro emperra consumo e produção
Em recente pesquisa neste mês, com empresários do setor metalúrgico da região metropolitana de Curitiba, verificou-se uma queda de 22,83% na produção no trimestre passado. No primeiro bimestre deste ano, o setor prevê uma queda de 35,40%. Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Curitiba (Sindimetal), Roberto Soltomaior Karam, alternativas criativas para enfrentamento da crise esbarram num ponto principal: a falta do crédito fácil, rápido e barato para consumidores e empresas.
Ele cita como exemplo, o spread (empréstimos bancários) médio anual de 80% cobrado pelos bancos. ''Se uma empresa emprestar R$ 100 mil no ano, vai pagar só de spread R$ 80 mil'', exemplifica. Ele também lembra das notas promissórias emitidas pelas empresas para clientes. ''O banco cobrava 1,5% do valor da promissória para antecipar o dinheiro para o empresário ter capital de giro para produzir. Com a crise, os bancos estão cobrando 3,4% de cada promissória transformada em dinheiro'', protesta.
Segundo ele, dívidas feitas como compra de máquinas e treinamento de pessoal são o grande custo das empresas. ''As empresas têm que pagar isso em dólar, porque é quase tudo importado. A moeda americana subiu 40% neste período de crise'', ratifica. Karam entende que baixar salário compromete o consumo ainda mais. ''Mas ou se reduz salário e jornada de trabalho ou teremos que demitir. O que está acontecendo é um movimento para que as empresas não demitam. Não há como dar estabilidade num ambiente de crise, a empresa não tem estabilidade nem para ela'', compara. (E.P.F.)





