Crédito atende apenas 30% da demanda, admite governo
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sexta-feira, 05 de abril de 2002
Sílvio Oricolli<br>Enviado da Folha 
Rondonópolis (MT) - Apesar de um volume aparentemente alto - foram R$ 16 bilhões para custeio, investimento e comercialização na safra 2000/01 - os recursos destinados para as linhas de crédito são suficientes apenas para atender 30% da necessidade do setor. A avaliação é de Benedito Rosa do Espírito Santo, secretário de comercialização e produto do Ministério da Agricultura. Isto acaba levando o agricultor a lançar de um volume maior de recursos próprios ou, o que é mais oneroso, ir a fontes alternativas de financiamento do custeio das lavouras.
Espírito Santo, que esteve falando sobre Política agrícola no início da noite de quinta-feira na Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow Cerrado), em Rondonópolis, no Sul do Mato Grosso, enfatiza que, por falta de recursos suficientes para custear a implantação das principais lavouras, o produtor, se tiver dinheiro, é obrigado a bancar o custo da lavoura. Também com frequência recorre ao mercado para conseguir o financiamento. E a escassez de recursos, segundo o secretário do Ministério da Agricultura, ainda deu origem ao que ele considera um mecanismo inadequado de financiamento indireto, por intermédio do fornecimento dos insumos necessários ao plantio, mediante o compromisso do pagamento no momento da colheita.
Prática já bastante difundida pelas revendas de insumos e mesmo cooperativas, Espírito Santo diz isto acaba sendo atrativo porque não tem burocracia, como no procedimento de concessão normal de crédito, e é mais rápido também. Mas a modalidade, que já movimenta um mercado entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões por ano, segundo sua estimativa, acrescenta custo na produção, porque a correção dos valores normalmente feita acima dos 8,7% dos juros agrícolas, quando não supera até mesmo as taxas de mercado. Outro problema é ter de vender ou entregar parte da produção durante a colheita, quando os preços são normalmente baixos, o que diminui a margem de ganho do agricultor.
Espírito Santo diz que a seletividade dos bancos na concessão dos créditos agrícolas cria sérios obstáculos para o setor rural, porque exclui do processo os produtores que tiveram de securitizar as dívidas e, por isso, não dispõem de patrimônio para dar como garantia ao empréstimo. A estes, que não são poucos, não resta, portanto, alternativa que não seja a de se submeter aos custos de mercado. Mas o secretário do Ministério da Agricultura acredita que até o final deste mês o governo terá encaminhado para apreciação do Congresso a proposta de seguro agrícola, com o que os agricultores não precisarão dar bens em garantia dos financiamentos. A expectativa é de que seguro entre em vigor a partir do final deste ano. E diz que a intenção do governo é pagar até 50% do valor do prêmio, na forma de subvenção, nas apólices de seguros para grãos.
Secretário vê avanços
nas taxas de juros
E Espírito Santo diz que o crédito rural pelo menos no que diz respeito aos juros avançou muito, pois, ao contrário do que havia, com taxas variáveis devido aos índices adotados, de uns anos para cá, com a estabilização econômica e a fixação do juro agrícola de 8,75% ao ano, houve um baratemento do custo do dinheiro destinado ao financiamento da produção rural.
Também lembra que devido à importância da agropecuária para a economia do
País, houve, dentro das possibilidades, aumento da oferta de dinheiro para o setor. Espírito Santo diz que o crédito de custeio, entre as safras 1999/00 e a penúltima, teve incremento de 16,6%, passando de R$ 8,5 bilhões para R$ 9,97 bilhões, o de investimento subiu de R$ 2,33 bilhões para R$ 2,97 bilhões, com acréscimo de 27,5%, e na comercialização o resultado foi 40,7% superior, com o empréstimo de R$ 3,04 bilhões, frente aos R$ 2,16 bilhões do ano anterior. O total de crédito foi de R$ 15,99 bilhões em 2000/01, superando em 22,5% os R$ 13,05 bilhões do exercício anterior.


