Crédito às empresas deve crescer mais do que às pessoas físicas
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de janeiro de 2010
Leandro Modé<BR>Agência Estado 
São Paulo - Contrariando uma tendência que prevaleceu em seis dos sete anos do governo Lula, o crédito às empresas deve crescer mais do que os empréstimos às pessoas físicas em 2010. Em primeiro lugar, por causa da onda de investimentos esperada para os próximos anos. Em segundo, pela normalização das condições do sistema bancário. Por fim, a base de comparação na pessoa jurídica é baixa porque em 2009 a crise drenou grande parte dos financiamentos para as companhias, principalmente as de pequeno e médio portes.
''Esperamos uma expansão de 25% para o crédito às empresas e de 20% para as pessoas físicas neste ano'', disse o diretor executivo do Itaú Unibanco, Silvio de Carvalho, frisando que o grupo de pessoas jurídicas, na instituição, inclui as de pequeno e médio portes. ''As grandes têm à disposição outras fontes de financiamento, como os mercados externo e de capitais.''
A pedido da reportagem, o economista Bruno Rocha, da Tendências Consultoria, calculou o crescimento dos empréstimos a pessoas físicas e jurídicas entre 2003 e 2009. O único desses sete anos em que o avanço do crédito às empresas bateu o das pessoas físicas foi 2008 (31,2% ante 17,2%, descontada a inflação). ''Mas esse resultado foi influenciado pelo processo de entrada de grandes empresas no mercado bancário, por causa das restrições impostas pela crise internacional'', observou.
O principal fator a estimular a demanda por empréstimos nas empresas em 2010 é o investimento. No ano passado, segundo a MB Associados, a taxa de investimentos no Brasil ficou em 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para este ano, a expectativa, segundo o economista-chefe da consultoria, Sergio Vale, é de que alcance 18,7% - aproximadamente R$ 80 bilhões.
Embora os grandes investimentos tenham, em geral, fontes de financiamento alternativas ao crédito bancário convencional, os especialistas explicam que tais empreendimentos criam um efeito dominó positivo no mundo corporativo.
''Ao investir, uma multinacional brasileira (ou estrangeira) contrata outros fornecedores, que, por sua vez, contratam outros fornecedores, e assim por diante. Ou seja, há uma cadeia produtiva que não pode ser desprezada'', explicou o presidente da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), Renato Oliva.


