Crédito ao têxtil já mexe com mercado
José Antonio Rodrigues
Agência Estado
O fato de o BNDES estar liberando R$ 400 milhões para o financiamento da compra de algodão já mexe com o mercado nacional da matéria-prima e de tecidos. A avaliação é do economista Marcelo Prado, que é também diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industrial, especializado em pesquisas do setor têxtil.
As consequências mais imediatas serão para o produtor de algodão, que deverá ter garantida a negociação da sua safra. Além disso, deverá favorecer as empresas que têm tido grande dificuldade em financiar a compra de matéria-prima, com os atuais taxas de juros que encarecem o custo final do dinheiro.
Custo é alto Esse custo, que é muito alto, está sendo repassado para o preço, tirando a competitividade de indústrias que tiveram de investir pesado em maquinário e modernização para enfrentar a concorrência externa, diz Prado. Apenas um grande grupo têxtil nacional - sem citar o nome - tem conseguido superar esse obstáculo, comprando a sua matéria-prima à vista.
Outro reflexo será no mercado interno de algodão. O produto vem sendo importado largamente (400 mil toneladas em 1996), mas o fato de ter garantido o financiamento deverá regular a oferta interna e propiciar o aumento do plantio. Isso, explica Prado, vai provocar menor oscilação nos preços internos, relativamente aos internacionais. Já que os importadores terão maior dificuldade de aproveitarem as brechas criadas pela escassez da oferta interna, diz ele.
Além de enfrentar o alto custo do financiamento da matéria-prima, as indústrias estão tendo de financiar seus clientes para poder competir. Tudo que se fizer, portanto, para diminuir custo financeiro das empresas, vale, argumenta o economista.
Dados do Iemi mostram que o Brasil consome 850 mil toneladas/ano de algodão. Mas o País, que já foi o segundo maior produtor de algodão do mundo, em 1996 foi o segundo maior importador do produto, quando comprou lá fora 450 mil toneladas de algodão.
A atual safra deverá ficar entre as 550 mil toneladas e 580 mil toneladas, reduzindo as importações em cerca de US$ 200 milhões já neste ano.
Todos os grandes grupos nacionais do setor serão beneficiados por essa decisão do governo de financiar o algodão nacional (entre eles, Vicunha, Alpargatas, Santista e Coteminas). Mas há um outro problema: a qualidade do algodão nacional, decorrente de uma mão-de-obra sem treinamento e sem fiscalização. Suas impurezas impõem um ritmo mais lento às novas máquinas que estão nas indústrias. As mudas brasileiras são de 1930, de fibra não muito longa, com rendimento menor, comenta Prado.





