São Paulo - O pacote de estímulo ao consumo de geladeiras, fogões, máquinas de lavar e televisores, anunciado quarta-feira em Brasília, deve elevar em 300 mil unidades as vendas desses quatro produtos até o fim do ano. O aumento, no entanto, é insuficiente para melhorar as projeções pessimistas da indústria de produtos eletroeletrônicos para este ano, segundo avaliou ontem a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).
A estimativa do setor é de que as vendas recuarão 4% em 2003, sobre um já combalido (-2%) 2002. Será o terceiro ano consecutivo de queda nas vendas e na produção registrado pelo setor (linhas branca, marrom e portáteis). Em 2001, as vendas já haviam recuado 6% sobre o ano 2000.
Segundo o presidente da Eletros, Paulo Saab, se o pacote de R$ 200 milhões para financiamento dos quatro produtos, a juros de 2,53% ao mês, for ''vitorioso'', haverá um aumento de vendas que corresponde a apenas 10% da previsão total de vendas para os quatro produtos. Previsto para impulsionar sobretudo o segmento de linha branca, que encerrou o primeiro semestre com recuo de 17,71% nas vendas, o pacote praticamente não influencia nas projeções, pondera Saab.
Além da queda nas vendas externas, o superávit comercial do segmento de linha branca diminuiu nos últimos anos. No ano 2000, o saldo foi positivo em US$ 200 milhões. No ano seguinte, recuou para US$ 173, 633 milhões. Em 2002, caiu ainda mais, para US$ 116,242 milhões.
Os produtos da chamada linha branca - fogões, geladeiras, freezers, máquinas de lavar, secar e microondas, por exemplo - representam 30% do setor eletroeletrônico, que emprega 40 mil trabalhadores em todo o País (sem contar os empregados do varejo). Na Eletros, que reúne 24 empresas de eletroeletrônicos, oito fabricam produtos da linha branca - Multibrás, Electrolux, Esmaltec, BSHContinental, GE-DaKo, Arno, Elgin, LG.
Segundo Saab, não há expectativa de que o eventual aumento de consumo provoque falta de produtos no mercado. Ele não acredita em superaquecimento da demanda, até porque as condições gerais da economia brasileira ainda estão frágeis, com desemprego e queda na renda do trabalhador.

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