Crédito a informais já soma R$ 37 milhões na Caixa Econômica
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terça-feira, 11 de novembro de 2003
Vânia Cristino<br>Agência Estado 
Brasília A Caixa Econômica Federal (Caixa) já tem pré-aprovadas em cadastro 185.343 operações de crédito, no total de R$ 37 milhões, para pessoas físicas titulares de contas especiais simplificadas. O valor é insignificante se comparado ao volume de crédito global da economia que, segundo o Banco Central, soma R$ 390,1 bilhões. No entanto, o crédito colocado à disposição do setor informal pela Caixa, que pode rapidamente chegar a R$ 100 milhões, já é mais do que o dobro do concedido no ano passado para todos os 76 mil clientes de organizações não-governamentais (ONGs) que operam com microcrédito no País.
De acordo com o vice-presidente de Finanças da Caixa, Fernando Nogueira da Costa, os dados mostram que as medidas de incentivo ao crédito recentemente adotadas pelo governo têm um impacto macroeconômico importante ao trazer para o setor bancário um segmento da população que sempre foi excluído. ''O crescimento (econômico) ia ocorrer de qualquer forma, mas crescimento com inclusão social só se obtêm com medidas dessa natureza'', argumentou.
Ele também disse que os bancos oficiais estão sendo rigorosos na análise de risco dos clientes. Estudo feito pela instituição sustenta que a taxa de 2% ao mês cobrada nessas operações é suficiente para que os bancos suportem sem prejuízo uma taxa de inadimplência de até 15% e no segmento de baixa renda, garante Nogueira da Costa, a inadimplência gira em torno de 2% a 3%. A punição para os inadimplentes é pesada, com a perda imediata da conta.
Para o vice-presidente de Varejo e Distribuição do Banco do Brasil (BB), Édson Monteiro, as medidas lançadas pelo governo, com juros mais baixos do que os de mercado, vêm induzindo a queda das taxas cobradas do consumidor pelas financeiras e pelas lojas.
Ele citou como exemplo o financiamento de eletrodomésticos da linha branca (fogão, geladeira, máquina de lavar) com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e juros de 2,53% ao mês e o financiamento de material de construção que, no BB, custa 1,98% ao mês.
Segundo Monteiro, depois dessas medidas, lojas e financeiras baixaram as taxas cobradas dos clientes de 5% para cerca de 2,90% ao mês. A quantidade ainda pequena de operações não diminui, segundo ele, o impacto no mercado. ''Nenhuma linha de crédito atinge todo seu potencial em apenas um mês'', argumentou. No BB, as operações da linha branca somam R$ 1,8 milhão e as da construção civil, R$ 20 milhões. Na Caixa, operações de microcrédito com valor médio de R$ 150 foram tomadas por 8.294 pessoas, num total de R$ 1,66 milhão.


