Credicard investe na baixa renda
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaBaixa renda tem presença tímida nas carteiras das administradorasSÃO PAULO - A Credicard, maior operadora de cartões de crédito do País (faturamento de US$ 12 bilhões em 1996), vai lançar nos próximos meses produtos voltados para a população de baixa renda. Esse é o grande mercado consumidor emergente que pretendemos atender, afirma o novo presidente da empresa, Cássio Casseb Lima. Ele informou que a Credicard já está negociando parcerias com empresas interessadas em explorar esse filão, como cadeias de varejo e de supermercado.
Apesar de os negócios do setor de cartão de crédito terem praticamente triplicado desde o Plano Real - passando de um movimento anual de US$ 4,3 bilhões em 1994 para US$ 12 bilhões no ano passado -, o consumidor de baixa renda ainda tem pequena participação na carteira de clientes das administradoras.
Lima diz que, com a estabilidade econômica, o perfil de compras do brasileiro está mudando. Há dois anos, conta, quando a inflação ainda era alta, as vendas da maior parte das empresas se concentrava nas festas de fim de ano, quando os trabalhadores recebiam o 13º salário e pagavam suas compras quase sempre à vista por falta de crédito. Só 10% das vendas eram financiadas, afirma o presidente da Credicard. No ano passado, esse índice subiu para 40%.
Segundo Lima, à medida que a economia demonstre forças para manter-se estável, a sazonalidade de concentrar as compras no fim do ano tende a diminuir, e as formas de oferecer crédito, aumentar. A Credicard já opera com agências de turismo com opções de pagamento que superam 20 prestações. O mesmo projeto pode ser estendido a outros ramos.
Outro ponto que o novo presidente da Credicard pretende reforçar é o atendimento aos clientes. Neste ano, a empresa investirá US$ 20 milhões nessa área (US$ 6 milhões em tecnologia e US$ 14 milhões na contratação e treinamento de pessoal). A equipe de atendimento a clientes crescerá dos atuais 2.300 para 3.000 funcionários até o fim do ano, espalhados em três pólos: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador (BA), cidade que apresentou maior produtividade no setor, por causa da atenção e paciência dos atendentes baianos.
As centrais de atendimento de São Paulo e Rio de Janeiro já estão interligadas. Até agosto, a de Salvador também vai integrar-se. Quando um cliente ligar para a empresa, a chamada será transferida para a central que estiver mais ociosa, independentemente do município em que o cliente estiver. Lima diz que a importância do serviço ao associado da Credicard será tamanha que ele próprio fará reuniões com os atendentes. A cúpula da empresa terá de se curvar aos clientes para saber seus problemas e anseios e oferecer-lhes serviços adequados, diz o executivo.


