Arquivo FolhaBaixa renda tem presença tímida nas carteiras das administradorasSÃO PAULO - A Credicard, maior operadora de cartões de crédito do País (faturamento de US$ 12 bilhões em 1996), vai lançar nos próximos meses produtos voltados para a população de baixa renda. ‘‘Esse é o grande mercado consumidor emergente que pretendemos atender’’, afirma o novo presidente da empresa, Cássio Casseb Lima. Ele informou que a Credicard já está negociando parcerias com empresas interessadas em explorar esse filão, como cadeias de varejo e de supermercado.
Apesar de os negócios do setor de cartão de crédito terem praticamente triplicado desde o Plano Real - passando de um movimento anual de US$ 4,3 bilhões em 1994 para US$ 12 bilhões no ano passado -, o consumidor de baixa renda ainda tem pequena participação na carteira de clientes das administradoras.
Lima diz que, com a estabilidade econômica, o perfil de compras do brasileiro está mudando. Há dois anos, conta, quando a inflação ainda era alta, as vendas da maior parte das empresas se concentrava nas festas de fim de ano, quando os trabalhadores recebiam o 13º salário e pagavam suas compras quase sempre à vista por falta de crédito. ‘‘Só 10% das vendas eram financiadas’’, afirma o presidente da Credicard. ‘‘No ano passado, esse índice subiu para 40%.’’
Segundo Lima, à medida que a economia demonstre forças para manter-se estável, a sazonalidade de concentrar as compras no fim do ano tende a diminuir, e as formas de oferecer crédito, aumentar. A Credicard já opera com agências de turismo com opções de pagamento que superam 20 prestações. O mesmo projeto pode ser estendido a outros ramos.
Outro ponto que o novo presidente da Credicard pretende reforçar é o atendimento aos clientes. Neste ano, a empresa investirá US$ 20 milhões nessa área (US$ 6 milhões em tecnologia e US$ 14 milhões na contratação e treinamento de pessoal). A equipe de atendimento a clientes crescerá dos atuais 2.300 para 3.000 funcionários até o fim do ano, espalhados em três pólos: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador (BA), cidade que apresentou maior produtividade no setor, por causa da atenção e paciência dos atendentes baianos.
As centrais de atendimento de São Paulo e Rio de Janeiro já estão interligadas. Até agosto, a de Salvador também vai integrar-se. Quando um cliente ligar para a empresa, a chamada será transferida para a central que estiver mais ociosa, independentemente do município em que o cliente estiver. Lima diz que a importância do serviço ao associado da Credicard será tamanha que ele próprio fará reuniões com os atendentes. ‘‘A cúpula da empresa terá de se curvar aos clientes para saber seus problemas e anseios e oferecer-lhes serviços adequados’’, diz o executivo.

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