SÃO PAULO - Por trás do sistema crediário feito por grandes redes de lojas estão mecanismos sofisticados de financiamento, como securitização de recebíveis, que os pequenos lojistas não têm acesso. Para levantar recursos para vender a prazo, as grandes redes repassam ao banco a sua carteira de recebíveis (as prestações a vencer que serão pagas pelo consumidor). Outra forma de fazer caixa é o crédito direto ao consumidor com interveniência bancária, conhecido como CDCI, em que a loja consegue os recursos dando com garantia ao banco os recebíveis futuros.
Para esses lojistas o custo de captação do dinheiro é baixo, entre 2% a 3%, principalmente se comparado à taxa de juros que cobrada do consumidor no crediário, entre 6% a 7% ao mês. Descontando-se o custo administrativo e o risco da inadimplência, o que sobra é o lucro do lojista. Há redes de lojas que se sustentam basicamente desse ganho financeiro, embora registrem prejuízo na sua atividade principal (a compra e venda de produtos), diz um especialista em crediário. Isso explica porque não há interesses dos lojistas em darem desconto nas vendas à vista.
Os médios e pequenos comerciantes, por sua vez, conseguem financiar as vendas a prazo pelas financeiras, que costumam repassar de 0,5% a 1% do volume financiado no mês ao lojista. É um estímulo para o lojista vender a prazo, pois quanto maior for a venda pelo crediário maior será o volume de dinheiro embolsado pelo lojista. Ao contrário das grandes redes, os pequenos precisam lutar para não ter perdas operacionais, caso contrário quebram. Ou a sua atividade principal precisa ser lucrativa.
Mesmo nas vendas com cheque pré-datados, a forma mais simples e barata de financiamento, é raro o consumidor conseguir desconto à vista. Isto porque o lojista que trabalha com pré-datados vende os cheques para factorings ou bancos para fazer caixa. Ele não concede descontos nas compras à vista porque embute no valor a prazo os juros e extrai daí parte do seu lucro.

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