SÃO PAULO - As concessionárias devem obter receita extra de cerca de R$ 135 milhões este ano com comissões que recebem de bancos e financeiras na venda de carros a prazo. A soma representa 0,3% de R$ 45 bilhões, faturamento previsto pelo setor neste ano. A estimativa é de Sérgio Reze, da Fenabrave, associação que reúne os revendedores de veículos. Segundo Reze, o setor ganha mais com a intermediação financeira do que com a venda dos carros.
‘‘As concessionárias vão conseguir equilibrar a sua receita com o retorno financeiro’’, diz. Sem as comissões, as revendas chegaram a ter resultado negativo de 2%. Os revendedores descobriram a nova fonte de lucro a partir do segundo semestre de 96, com os prazos de financiamento de carros já liberados pelo governo.
Há grande concorrência entre as instituições de crédito para financiar os veículos. Para ganhar o cliente, os bancos chegam a pagar às concessionárias comissão de até 4% por contrato fechado. ‘‘Um financiamento de R$ 10 mil pode render R$ 400 reais para o revendedor’’, conta Reze.
O presidente da Fenabrave explica que o valor da comissão varia de acordo com o número de financiamentos repassados ao banco. A comissão é maior em São Paulo, que representa 38% do mercado. Reze diz que as comissões recebidas pelas concessionárias são legais e representam prática comum em outros países. A inadimplência na venda de veículos é baixa, conta Reze. Esse é uma forte atrativo para que as instituições financeiras se interessem pelo negócio. ‘‘Muitas concessionárias chegam a bancar o risco’’. As vendas a prazo já representam mais de 60% dos negócios e devem continuar crescendo, segundo Reze.

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